Segundo um comunicado divulgado hoje pela Polícia Nacional de Espanha, os migrantes vítimas desta organização são pessoas “recém-chegadas à cidade”, dentro da avalanche que no final de julho entrou ilegalmente em Ceuta, uma cidade espanhola localizada no norte de África, com fronteira com Marrocos.
“A investigação permitiu identificar uma estrutura organizada que teria desenvolvido diferentes funções relacionadas com a captação, alojamento, cobrança, controlo e intermediação para o posterior transporte irregular de migrantes” para o território de Espanha na Península Ibérica, a troco de 6.000 euros, disse a polícia.
Os migrantes pagavam até 900 euros por mês para dormir em garagens ou arrecadações, havendo casos de espaços como estes, “sem condições adequadas”, onde foram alojadas 20 pessoas em simultâneo, segundo o mesmo comunicado.
“Além disso, certos elementos essenciais para o descanso, como colchões ou cobertores, estariam condicionados ao pagamento integral dos montantes exigidos. Também teria sido cobrado entre cinco e dez euros por cada carregamento completo de telemóveis”, revelou a polícia, que deteve duas pessoas.
Segundo as autoridades, a organização fez também “ameaças de morte e coações” aos migrantes, que recebiam “Instruções para se esconderem e evitar contacto” com a polícia “enquanto esperavam a possibilidade” de serem levados para outra parte de Espanha.
Mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta, a partir de Marrocos, em 30 e 31 de julho, naquilo que o Governo espanhol qualificou como um ataque e uma violação à integridade territorial de Espanha.
A maioria dessas pessoas saiu voluntariamente de Ceuta nas horas e dias seguintes, mas permanecem na cidade 13.000 migrantes, segundo as autoridades locais.
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