“Estamos a testemunhar uma ingerência direta do Ocidente, tentativas de ingerência na expressão da vontade dos nossos cidadãos”, disse Lavrov ao intervir num festival internacional de juventude na cidade de Ecaterimburgo, capital dos Urais.
Lavrov disse tratar-se de uma situação “particularmente grave” no estrangeiro, onde a Rússia vai abrir mais de 300 assembleias de voto.
“Mas, dentro da Rússia, também estão a ocorrer tais tentativas”, afirmou, citado pelas agências russas e pela espanhola EFE.
Lavrov insistiu que os países ocidentais tentam “agitar e desestabilizar” a situação na Rússia, mas que não vão alcançar os objetivos.
O grupo de “piratas” informáticos anónimos CikLeak anunciou hoje ter violado os servidores da Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia a menos de dois dias do início da votação.
“Queremos que os cidadãos russos conheçam melhor como as autoridades podem manipular as eleições”, afirmaram os ‘hackers’.
“A infraestrutura da CEC e dos seus prestadores de serviços — Rostelecom, Tsifrtech e outros envolvidos no desenvolvimento do sistema GAS ‘Eleições’ 2.0 — foi comprometida. Todo o material já foi partilhado com jornalistas”, disseram.
O grupo denunciou que a CEC “criou um sistema de votação eletrónica remota completamente opaco”.
“Esta é a forma mais fácil de roubar votos”, acrescentaram.
Nas eleições legislativas, o Rússia Unida, o partido que apoia o Presidente Vladimir Putin, pretende revalidar a maioria, apesar da queda de popularidade nas sondagens.
Tanto o único partido pacifista da Rússia, o Yabloko, como a oposição comunista e a dissidência no exílio colocaram em causa a transparência do voto eletrónico.
Apelaram, por isso, para que os russos votem apenas no domingo e em boletim de papel.
As eleições destinam-se a eleger os 450 membros do parlamento nacional (Duma), a câmara baixa da Assembleia Federal.
O Rússia Unida venceu as eleições de 2021, com 49,8% dos votos, e detém atualmente 310 lugares.
O Partido Comunista tem 56 deputados, o Rússia Justa 27, o Partido Liberal-Democrático 22 e o Partido Novo Povo 15.
Há ainda quatro deputados sem partido e 16 lugares por preencher, de acordo com a página da Duma na internet.
Leia Também: Enviado do Vaticano destaca em Moscovo importância do diálogo



