O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou, esta quinta-feira, que é errado não impor um teto ao preço dos combustíveis, uma vez que, ao contrário do que defende o Governo de Luís Montenegro, “a população já é toda um setor especial”.
“Estamos confrontados com um aumento brutal dos combustíveis, do preço dos alimentos, com uma grande dimensão. Como se isso não fosse pouco, vem aí um novo aumento das taxas de juro, o que implica ainda mais nos custos da habitação”, contextualizou Paulo Raimundo, à margem da ação “Romper com injustiças – Novo Rumo para Portugal. Uma vida melhor”, que decorre no Cais do Sodré, em Lisboa.
O comunista argumentou que, “enquanto cada um de nós paga cada vez mais pelos alimentos, pelos combustíveis, pela habitação, pelas portagens, há quem tenha, no meio desta desgraça toda, lucros nunca vistos, como é o caso da Galp, da banca, da grande distribuição”, pelo que “há aqui qualquer coisa que está mal”.
“A nossa ação de hoje é também contra a injustiça na distribuição da riqueza que é criada. Qual é a realidade na vida de cada um de nós? É o salário cada vez mais curto para um mês tão grande e é a pensão que não chega. Portanto, é preciso resolver isto: acabar com a injustiça, distribuir melhor a riqueza, aumentar salários e pensões, e conter o aumento brutal do custo de vida”, defendeu.
Na ótica do líder do PCP, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, “certamente acha que ainda não estamos num estado suficiente para tomar as medidas que se impõem”, mas “está enganada e as populações estão justamente indignadas e revoltadas e estão a dar-lhe resposta”.
“A população já é toda um setor especial”, asseverou, referindo-se à política aplicada pelo Executivo, que tem por base “ajudar os setores que mais precisam e não fazer uma ajuda generalizada”.
“Pelos vistos, [a ministra] acha que o aumento do custo de vida não está ao nível que ela acha que deve estar. É sempre para mais tarde. Tudo o que é para facilitar a vida aos trabalhadores, às populações, tudo o que é para conter os lucros enormíssimos das Galps deste país é sempre para mais tarde. Tudo o que é para apertar a vida de quem trabalha é sempre para ontem”, lamentou.
De notar que Maria da Graça Carvalho anunciou, na segunda-feira, que o Governo está a preparar novos apoios para os transportes de mercadorias, bombeiros, setor social e táxis, por forma a compensar o impacto da subida dos combustíveis. A responsável indicou, contudo, que impor um teto ao preço dos combustíveis é uma “medida excecional e de último” recurso, por poder perturbar o funcionamento do mercado.
Esta semana, o preço do gasóleo atingiu máximos históricos, tendo aumentado de 2,113 euros por litro para 2,152 euros por litro entre sexta e segunda-feira. Já a gasolina simples 95 baixou de 2,100 euros por litro para 2,072 euros por litro.
Significa isto que o gasóleo disparou 3,9 cêntimos e o preço da gasolina desceu 2,8 cêntimos, segundo os valores médios atualizados na terça-feira pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). De acordo com estes dados, que são contabilizados desde 2008, o preço do gasóleo nunca esteve tão elevado em território nacional.
[Notícia atualizada às 08h58]
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