O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, disse, esta quarta-feira, que tem “as contas feitas” para as propostas que fez, incluindo, as relacionadas com baixar o IVA nos combustíveis ou o cabaz alimentar.
“Temos contas feitas para todas propostas que fizemos, quer para a redução do IVA – via ISP -, quer redução dos custos com eletricidade, os apoios aos agricultores e às pescas e, temporariamente, o IVA zero para bens alimentares. Custará, nas nossas contas, cerca de 132 milhões de euros por mês”, avançou, quando questionado sobre o assunto em entrevista à SIC Notícias.
“Por isso é que apresentámos propostas com avaliação mensal – noutros casos, trimestral. Por forma a podermos garantir o princípio da sustentabilidade e responsabilidade orçamental”, completou. Confrontando com a possibilidade “as contas do país” aguentarem este investimento, José Luís Carneiro foi assertivo: “Se fizermos fé nas palavras do ministro das Finanças e do primeiro-ministro, as contas do país aguentam isto e outras medidas adicionais. Estou convencido de que o Governo se preparará para tomar medidas adicionais no Conselho de Ministros amanhã”.
Questionado, particularmente, sobre uma possível baixa do IVA para 13% nos combustíveis e a possibilidade de esta ter um impacto muito grande nas contas públicos, Carneiro reforçou: “Se fizermos fé nas contas do ministro das Finanças e do primeiro-ministro, e queremos fazer fé nas suas contas, é possível acomodar as propostas todas que formulámos ao Governo. Elas estão em condições de integrarem as contas públicas. Representarão 0,04% do PIB, o que significa que são enquadráveis, com sentido de responsabilidade, nas contas do Orçamento do Estado”.
Já quanto às palavras de Maria da Graça Carvalho, que na semana passada falou sobre os apoios para os maus vulneráveis, Carneiro assinalou: “As palavras da ministra do Ambiente foram no sentido dos mais vulneráveis, mas chamo à atenção de que os mais vulneráveis são aqueles cerca de dois milhões de trabalhadores que não pagam IRS e que não são beneficiários das medidas anunciadas pelo Governo”.
E, para este dois milhões de pessoas, o PS defende que sejam beneficiários de apoios extraordinários, fixos, limitados no tempo, “para poder acompanhar aquilo que são hoje “circunstâncias de vida muito difíceis”.
Clarificando o que coloca em cima da mesa, o líder socialista sublinhou que os 132 milhões de que falou dizem respeito ao “conjunto das medidas” e que, no que diz respeito aos combustíveis, foi proposta uma avaliação mensal. Para as restantes medidas, uma avaliação trimestral.
Confrontado ainda sobre a incógnita do que se pode passar ainda devido ao panorama nacional, nomeadamente, em termos de uma crise ainda mais grave, José Luís Carneiro disse que talvez tivesse sido o primeiro a dizer ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, no debate parlamentar, “que a crise que se estava a abater sobre o Médio Oriente podia ser equivalente à crise de ’73”.
E recordou a resposta do chefe de Governo: “Na altura, Luís Montenegro disse-me que eu estava ansioso e que teríamos de parar, avaliar. Aceitei na previsão e nas contas que fizemos ao Governo […]”.
Carneiro acusou ainda que o Estado de estar a “beneficiar com a inflação e com aumento dos impostos sobre o custo dos combustíveis”. O líder socialista acrescentou: “Estimamos que entre o prémio de IRS que decidiu atribuir e entre os suplemento extraordinário para os idosos, que o Governo ainda fica com 400 milhões de euros”.
“Dinheiro no bolso”: Leitão Amaro vs. Carneiro
Ainda questionado sobre não seria legítimo que um Governo deixasse os portugueses ter mais dinheiro no bolso, uma ideia defendida na hora anterior pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, à mesma estação, Carneiro disse: “Quem está a defender que os portugueses tenham mais dinheiro no bolso somos nós, porque estamos a propor que haja redução da carga fiscal sobre combustíveis, eletricidade, gás – de botija e para empresas – e, nomeadamente, estimular apoios quer a agricultores, quer a pescadores”.

Ministra garante: “Governo não está a lucrar com crise dos combustíveis”
A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, fez um ponto de situação sobre o aumento dos preços dos combustíveis, reconhecendo que este é “um momento difícil”, mas garantindo que o Governo “não está a lucrar com esta crise”.
Notícias ao Minuto, Lusa | 19:35 – 07/09/2026



