“A condenação e a extensão das penas impostas a quatro antigos líderes do Exército de Libertação do Kosovo (ELK) representam uma injustiça inaceitável”, declarou Kurti na rede social Facebook, defendendo que as condenações fossem “corrigidas através de recurso o mais rapidamente possível”.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros do Kosovo, Glauk Konjufca, afirmou que a decisão dos juízes — que classificou de “terrível” e “injusta” — causará danos consideráveis ao Estado kosovar.
Na mesma linha, a Presidente interina do país, Albulena Haxhiu, descreveu a sentença como uma “notícia chocante para a República” e um momento grave para a nação. Ao mesmo tempo, Haxhiu sublinhou que as condenações não são definitivas e defendeu a apresentação de recursos.
Um tribunal especial para o Kosovo, sediado em Haia, nos Países Biaxos, condenou hoje o antigo Presidente kosovar Hashim Thaçi a 25 anos de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pela guerrilha kosovar na década de 1990.
Thaçi foi condenado pelos crimes de detenção ilegal, tortura, homicídio e tratamento cruel, entre outros, juntamente com três antigos líderes do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), que combateram as forças sérvias na guerra de 1998-1999.
Thaçi, de 58 anos, ascendeu ao poder político após a guerra, mas renunciou ao cargo de Presidente para se defender perante o tribunal de Haia.
Os procuradores do tribunal das Câmaras Especializadas do Kosovo pediram uma pena máxima de 45 anos de prisão para Thaçi e para outros arguidos, nomeadamente Kadri Veseli, Rexhep Selimi e Jakup Krasniqi. Todos negaram as acusações feitas pela Procuradoria.
Jakup Krasniqi foi condenado a 25 anos de prisão, enquanto Kadri Veseli e Rexhep Selimi foram condenados a 18 e 13 anos de prisão, respetivamente, pelos mesmos crimes. No centro de Pristina, milhares de pessoas acompanharam em direto a leitura das sentenças.
Segundo os procuradores, os homens – considerados heróis nacionais pela sua luta pela independência – tinham como alvo opositores políticos e civis vistos como colaboradores e traidores durante o período em que integraram o ELK. Thaçi também enfrentará um julgamento separado por acusações de intimidação de testemunhas, com início previsto para o final deste mês.
Em Pristina, a sede da missão civil da União Europeia (EULEX) no Kosovo foi atacada hoje com pedras e outros objetos lançados por centenas de kosovares, após a divulgação das condenações proferidas pelo tribunal de Haia aos quatro antigos membros do ELK. A estação pública kosovar TV Klan transmitiu em direto a concentração de pessoas enfurecidas em frente ao edifício da EULEX, que estava protegido por um grande efetivo policial.
A EULEX prestou apoio operacional à investigação deste caso, ajudou na organização de audiências e na emissão de intimações.
A França reiterou hoje “o seu empenho na luta contra a impunidade” após a condenação do antigo Presidente do Kosovo, assim como “o seu apoio constante à independência do Kosovo e às suas instituições”.
A maioria das 13.000 pessoas que morreram na guerra do Kosovo era de origem albanesa. Uma campanha de 78 dias de ataques aéreos da NATO contra as forças sérvias pôs fim aos combates. Cerca de um milhão de kosovares de origem albanesa foram expulsos das suas casas.
Em 2008, o Kosovo declarou a sua independência da Sérvia, um passo que Belgrado se recusa a reconhecer. As relações entre o Kosovo e a Sérvia continuam tensas, apesar de anos de negociações mediadas pela União Europeia e apoiadas pelos Estados Unidos.
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