As conversações incidiram também em possíveis “iniciativas americano-russas no setor energético após o fim da guerra”, acrescentou a mesma fonte sob condição de anonimato citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O responsável acrescentou que a visita surge na sequência do encontro entre os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner com o Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo no início de setembro e das conversações da semana passada com responsáveis ucranianos em Nova Iorque, por ocasião da 81.ª Assembleia-Geral da ONU.
A agência de notícias russa TASS especificou, por sua vez, que Dmitriev realizou “uma série de reuniões” na capital federal dos Estados Unidos (EUA), nomeadamente com “responsáveis do [Departamento do] Tesouro e do Departamento de Energia dos EUA”.
“Discutiram a cooperação económica entre a Rússia e os EUA”, acrescentou a TASS, citando igualmente uma fonte anónima.
Estas conversações, conduzidas pelo enviado do Kremlin (presidência russa), decorreram num contexto de intensificação dos ataques russos em plena luz do dia contra Kyiv, através de drones a jato que as forças ucranianas têm dificuldade em intercetar.
Por outro lado, segundo a revista The Atlantic, o Presidente norte-americano, Donald Trump, seria favorável a um compromisso com a Rússia que levaria os Estados Unidos a levantar certas sanções caso Moscovo libertasse um certo número de presos políticos, algo sobre o qual a Casa Branca (presidência norte-americana) não se pronunciou diretamente.
Questionado sobre este artigo, um responsável norte-americano respondeu à AFP que Trump pretendia “continuar a desempenhar um papel construtivo para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia” e que se mantinha otimista quanto à conclusão de um acordo de paz.
Horas antes das conversações de hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, anunciou a realização de um “encontro futuro” com os Estados Unidos sobre “questões sensíveis”, para relançar o processo de paz na Ucrânia e melhorar as relações bilaterais.
Segundo Lavrov, citado pela TASS, tanto ele como o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estão “a aguardar que os especialistas cheguem a acordo sobre uma data e local específico” para o encontro.
O chefe da diplomacia russa já tinha manifestado no sábado a disponibilidade do Governo de Moscovo para regressar aos “acordos” de Anchorage sobre a Ucrânia, discutidos a 15 de agosto de 2025, na cidade do Alasca, entre o Presidente norte-americano e o homólogo russo.
Dessa reunião entre os dois chefes de Estado, que terminou sem um acordo ou tratado de paz formal sobre a guerra na Ucrânia, ficou a ideia defendida por Moscovo de um entendimento informal para a entrega do controlo total da região de Donbass (leste ucraniano) à Rússia e congelamento das linhas da frente no leste e sul da Ucrânia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo sublinhou ainda que existem “contactos regulares” e “diplomacia normal” com o Governo norte-americano, referindo que a relação entre os dois países não se limita a declarações diárias a condenar a Rússia.
Mais de quatro anos e meio após o início da invasão russa em grande escala da Ucrânia, e apesar de as negociações terem sido retomadas com os mediadores norte-americanos, uma resolução diplomática do conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial parece, por enquanto, fora de alcance.
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