“Condenamos firmemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável”, declarou a porta-voz Allison Hart, confirmando que a NATO recebeu o documento e respondeu a Moscovo.
“O uso de táticas híbridas pela Rússia é um sinal de desespero, mas não seremos dissuadidos do nosso apoio à Ucrânia”, adiantou.
A embaixada russa em Bruxelas publicou no X o conteúdo do documento, no qual a Rússia manifesta “preocupação” com o que considera “ações provocatórias” da NATO em relação a Kaliningrado, afirmando estar pronta para retaliar “com todo o seu arsenal” face a tais ações.
“Observámos um aumento sem precedentes da atividade militar da Aliança ao longo das nossas fronteiras ocidentais”, que incluem Kaliningrado, refere o documento.
Este território — a antiga Königsberg, na Prússia Oriental, anexada pela URSS em 1945 e continuidade territorial com a Rússia — faz fronteira com a Polónia, a Lituânia e o Mar Báltico.
A Rússia “está pronta para empregar todo o seu arsenal para defender o seu território, caso os países da NATO tentem isolar a região de Kaliningrado do resto do nosso país”, adianta a nota enviada à NATO, segundo a embaixada.
Os países da NATO estão preocupados com o aumento dos ataques híbridos atribuídos à Rússia nos seus territórios e reforçaram a sua presença militar, especialmente nas fronteiras orientais da Aliança.
A União Europeia (UE) manifestou hoje “total solidariedade” com a Estónia, depois de Tallinn ter acusado o Kremlin de ordenar um ataque incendiário contra um fabricante de drones.
“A Rússia tem vindo a intensificar os ataques junto das nossas fronteiras, e as ameaças diretas ao nosso território são cada vez mais frequentes”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia Christian Wigand.
“Moscovo procura, assim, intimidar a Europa para que reduza o seu apoio à Ucrânia, mas isso não vai acontecer”, acrescentou o porta-voz.
Também o Presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou este episódio como uma “perigosa escalada imprudente” por parte da Rússia.
“A multiplicação destes atos hostis reflete uma perigosa escalada imprudente da Rússia, que apenas a levará a um beco sem saída”, escreveu o líder francês na rede social X, recordando o recente “incidente muito grave” no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, alvo de uma tentativa de ataque envolvendo um drone carregado de explosivos.
“A Rússia deve saber que não vencerá nem a nossa unidade nem a nossa determinação em continuar a apoiar a Ucrânia”, acrescentou Macron, manifestando a “total solidariedade” da França para com a Estónia.
A Estónia, membro da NATO e da UE e aliada da Ucrânia, acusou hoje os serviços de informações russos de terem ordenado um incêndio ocorrido em agosto nas instalações da Milrem Robotics, em Tallinn.
A empresa estoniana é especializada no desenvolvimento e fabrico de veículos terrestres não tripulados.
O Kremlin já rejeitou qualquer responsabilidade pelo incêndio nas instalações de um fabricante de drones na Estónia, repudiando as acusações “infundadas” de Tallinn sobre o possível envolvimento de Moscovo.
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