O vice-secretário-geral da Jihad Islâmica, Mohammed al-Hindi, confirmou a formação do acordo eleitoral, em entrevista hoje divulgada pela AP, referindo-se aos dois aliados islamitas, Hamas e Jihad Islâmica, e Mohammed Dahlan, antigo chefe de segurança da Fatah, o movimento do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas.
Mohammed al-Hindi disse que a aliança apoiaria “uma lista nacional unificada”, que poderia ser composta por figuras independentes, em vez de membros dos grupos políticos.
A aliança incluiria um bloco liderado por Mohammed Dahlan, que foi exilado em 2010 após um desentendimento com Abbas e que já tinha sido expulso da Faixa de Gaza pelo Hamas, segundo a AP.
Desde então, Dahlan tem cultivado laços estreitos com os Emirados Árabes Unidos, onde desempenha as funções de conselheiro de segurança do Presidente Mohammed bin Zayed al-Nahyan.
Dimitri Diliani, porta-voz da Fação Democrática Reformista, de Dahlan, confirmou a aliança eleitoral numa declaração em que critica a liderança de Abbas, observando que “a Autoridade Palestiniana falhou com Gaza e com o povo palestiniano em todo o lado”.
O porta-voz acrescentou que vários outros grupos palestinianos também fazem parte da aliança e que há esforços para unir “todas as outras fações e profissionais independentes em torno de um programa nacional de reconstrução”.
O Hamas afirmou em agosto que Dahlan e o líder dos islamitas, Khalil al-Hayya, se reuniram no Cairo e discutiram formas de “acabar com a monopolização da tomada de decisões nacionais e formular uma estratégia nacional abrangente”.
As autoridades do Hamas e da Fatah não responderam ainda a pedidos de comentários sobre este acordo.
Mahmoud Abbas indicou que as eleições parlamentares na Palestina serão realizadas em 28 de novembro, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
A data da votação, que não ocorre há cerca de 20 anos, tem sido repetidamente adiada, mais recentemente devido à guerra na Faixa de Gaza, entre Israel e o Hamas, e a impedimentos israelitas para a realização do processo eleitoral em Jerusalém Oriental ocupada.
Os Emirados Árabes Unidos foram a força motriz por detrás dos Acordos de Abraão de 2020 (pactos diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para normalizar as relações entre Israel e vários países de maioria muçulmana), e o próprio Dahlan tem contactos alargados com as autoridades norte-americanas, de acordo com a AP, o que o tornaria num aliado improvável para o Hamas e a Jihad Islâmica.
No entanto, prossegue a agência de notícias norte-americana, a aliança parece enraizada no sentimento comum de frustração com o líder da Autoridade Palestiniana
A liderança de Abbas na Autoridade Palestiniana, que tem uma autonomia limitada sobre partes da Cisjordânia ocupada, tem sido acusada de ser autocrática, corrupta e ineficaz.
Abbas, de 90 anos, mantém-se no poder desde que o seu próprio mandato expirou em 2009, enquanto o Hamas continua a controlar partes da Faixa de Gaza, três anos após os seus ataques em Israel terem desencadeado a guerra no enclave palestiniano, que ficou praticamente destruído.
O secretário-geral da Jihad Islâmica comentou à AP que a decisão de lançar a aliança surgiu depois de as tentativas de reunir todas as fações num “diálogo para o consenso interno sobre a questão palestiniana em geral” não terem resultado.
Têm sido várias as tentativas ao longo dos anos para integrar o Hamas e a Jihad Islâmica na Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada pela Fatah, o órgão máximo que representa a causa palestiniana a nível internacional, mas todas falharam.
Um dos principais pontos de discórdia tem sido o reconhecimento de Israel pela OLP.
Embora autoridades do Hamas tenham afirmado estar dispostas a aceitar um Estado palestiniano na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, não chegaram a reconhecer Israel, enquanto a Jihad Islâmica adota uma postura ainda mais radical.
Ambos são considerados grupos terroristas pelos Estados Unidos, União Europeia e outros países ocidentais, que têm manifestado apoio à democracia palestiniana ao longo dos anos, mas que rejeitam qualquer governo que incluam estes dois movimentos.
A Fatah e o Hamas são, de longe, as forças políticas mais destacadas na Palestina, embora muitos habitantes estejam frustrados com as duas.
Al-Hindi afirmou que a Jihad Islâmica — que historicamente não participa nas eleições realizadas pela Autoridade Palestiniana — não lançará candidatos diretamente, mas “apoiará uma lista nacional que seja acordada”.
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