O último fim de semana de agosto fica marcado pela ‘mexida’ no que à política diz respeito, com as rentrées do Bloco de Esquerda (BE) e da Iniciativa Liberal (IL). Também a Universidade de Verão do Partido Social Democrata (PSD) termina este domingo, com o presidente do partido, Luís Montenegro, a discursar, numa altura em que o Governo está a dias de poder ver uma moção de censura pelo caminho.
O coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, encerra hoje a rentrée do partido, em Setúbal, com o “ataque da direita” à Segurança Social e à Constituição na agenda.
Em declarações à Lusa, a dirigente bloquista Andreia Galvão – que vai substituir Fabian Figueiredo no parlamento no mês de setembro – destacou “o ataque à Segurança Social, o papel do sindicalismo na construção de uma escola pública de qualidade, e o tema das empresas tecnológicas, desde a vigilância à adição”, como os principais temas desta rentrée política.
O tema tem estado no centro do debate político depois da divulgação, este mês, de um relatório encomendado pelo Governo no qual é defendido que existe uma leitura incorreta dos saldos da Caixa Geral de Aposentações e do sistema previdencial, propondo um conjunto de medidas como a adoção de planos de pensões profissionais automáticos.
Esta semana, numa participação à distância na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, o líder social-democrata e primeiro-ministro desejou que seja possível “um entendimento nacional” antes das próximas eleições quanto a alterações estruturais na Segurança Social que garanta a sustentabilidade do sistema.
Depois de no sábado terem participado na rentrée bloquista figuras como a socialista Alexandra Leitão, a antiga deputada do PCP Rita Rato, bem como vários dirigentes bloquistas, incluindo Mariana Mortágua, Francisco Louçã e Catarina Martins, hoje o Fórum arranca com um debate sobre a Constituição da República.
A deputada do Partido Socialista (PS) Isabel Moreira estará em Setúbal para falar sobre os 50 anos da Assembleia Constituinte com o constitucionalista Jorge Reis Novais e com uma pergunta: “O que anda a direita a tramar?”.
Já a IL teve a sua rentrée em Quarteira, com a líder, Mariana Leitão, a considerar, no sábado, que a classe média está “sob ataque” e se tornou “invisível” para os governantes, acusando o PS e o PSD de a terem “abandonado” porque “deixou de pesar nas urnas” como antes.
“A classe média está sob ataque. E é ignorada por quem nos governa. E sabem porquê? Eu digo-vos: Porque a classe média há muito deixou de pesar nas urnas como pesava antes. Encolheu. Em número e em rendimento, poder de compra e qualidade de vida. E a tática eleitoral fala mais alto”, sublinhou Mariana Leitão.
Para a líder dos liberais, “onde há votos, há promessas”, mas onde “há menos votos, há desprezo” e, atualmente, “ninguém fala” nem “defende a sério” a classe média, apesar de ser esta que cria riqueza e que faz um país desenvolver-se, restando-lhe pagar “sem receber nada” em troca.
“A classe média foi abandonada pelo PS e pelo PSD. E sabe, sabe bem, que do Chega só vem mais Estado e mais incompetência. E sem uma classe média forte, não há Portugal capaz de competir com ninguém”, insistiu, acusando ainda o Estado de estar a ser um “mau gestor” do dinheiro público e deixando críticas ao primeiro-ministro.
Ainda este domingo, o presidente do PSD e primeiro-ministro encerra hoje a Universidade de Verão do partido, com a agenda política marcada pela discussão sobre a Segurança Social e pela ameaça do Chega em apresentar uma moção de censura ao Governo.
uís Montenegro participa hoje, a partir das 12 horas, na sessão de encerramento da 22.ª edição desta iniciativa de formação de jovens quadros, que decorre desde segunda-feira em Castelo de Vide (Portalegre), depois de na quinta-feira ter respondido, por videoconferência, a dez perguntas dos participantes na iniciativa, prometendo falar hoje sobre educação.
A intervenção do presidente do PSD funciona, habitualmente, como a segunda rentrée do partido, depois da Festa do Pontal, no Algarve, na qual anunciou este ano a reentrada do Estado no capital da REN e criticou o que chamou de “censura moderna”, lamentado que os portugueses só conheçam as polémicas e incidentes e o mais importante fique “escondido em notas de rodapé”.
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