Os preços dos alimentos na Europa deverão ficar mais caros nos próximos tempos. Primeiro foram as ondas de calor, agora os incêndios que estão a condicionar os rendimentos da agricultura em vários países.
Em Franca, a associação de produtores Légumes de France alertou para a perda de milhares de toneladas de produtos, avaliados em dezenas de milhões de euros. Incluem-se alfaces, cenouras, alhos, cebolas e entre outros, de acordo com o Guardian.
O aviso, segundo o mesmo jornal, é sério: a produção de certas culturas deverá ser reduzida para metade devido à falta de chuva.
Ainda em França, o calor também deverá ter impacto na produção de vinho.
Aqui ao lado, em Espanha, o governo já tinha reduzido a estimativa para a produção de cereais do país, isto ainda antes de começarem os incêndios florestais.
Há um mês, recorde-se, Bruxelas revelou que as perspetivas a curto prazo para os mercados agrícolas da UE em 2026 mantêm-se boas, apesar das repercussões do conflito no Médio Oriente, que se somam a outros riscos, mas alertou logo que o azeite deve diminuir.
Estas perspetivas a curto prazo para os mercados agrícolas da União Europeia (UE), divulgadas pela Comissão Europeia, referem ainda os desafios climáticos, as doenças animais e as persistentes tensões comerciais como fatores que fazem aumentar os custos dos fatores de produção, pressionando as margens dos produtores.
Já a produção de cereais deverá contrair-se, mas ficando próxima da média dos últimos cinco anos, enquanto se espera que a produção nos setores dos ruminantes, do açúcar e do azeite diminua.

Ondas de calor ameaçam fatura do supermercado: Alimentos vão encarecer
Muitas culturas estão a perder rendimento e até há já matérias-primas agrícolas a reagirem em alta ao potencial cenário de menor oferta. É, por isso, provável que a fatura do supermercado fique mais ‘pesada’ nas próximas semanas.
Notícias ao Minuto com Lusa | 08:59 – 28/07/2026
Por cá… ano agrícola foi marcado por aumentos no azeite, carne e ovos
O ano agrícola 2024/2025, marcado pelo verão mais quente e mais seco dos últimos 94 anos, registou um aumento da produção de azeite, carne e ovos, e um recuo nos cereais, batata, vinho e citrinos, segundo o INE.
Nas estatísticas agrícolas de 2025 divulgadas há uma semana, o INE destaca que, apesar das temperaturas elevadas e da precipitação irregular, a quantidade de água disponível foi satisfatória, tendo contribuído para “uma campanha excecional para as pastagens e culturas forrageiras” nas explorações pecuárias.
A produção de azeite voltou a manter níveis elevados, registando a segunda melhor campanha de sempre.
No segmento animal, a produção total de carne aumentou 3,1%, para 976 mil toneladas, puxada pela carne de suíno (+ 6,5%) e de frango (+ 5,2%). Em sentido contrário, a produção de carne de bovino (-7,3%), ovino (-16,4%) e caprino (-10,2%) diminuíram face a 2024.
A produção de ovos atingiu um novo máximo no ano passado, aumentando 7,6%, para 166 mil toneladas. A produção de ovos para consumo cresceu 8,1%, acompanhando a forte procura do mercado, segundo o INE.
No leite, a produção registou um ligeiro recuo de -0,2% em relação ao ano anterior, para 1.982 milhões de litros.
Em contrapartida, a produção de cereais, batata, vinho e citrinos foi afetada pelo clima e pelas doenças.
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