Depois de no discurso de 2025 ter defendido que a Europa tinha de assumir maior responsabilidade pelo próprio futuro e reduzir dependências estratégicas, Ursula Von der Leyen vai agora apresentar “Concretizar a independência da Europa”, mostrando como os compromissos foram transformados em ações nas áreas da competitividade, energia, defesa, apoio à Ucrânia, comércio e proteção da democracia.
“Reforçar a capacidade da Europa para agir num mundo em mudança foi o foco dos nossos esforços no último ano. A Comissão Europeia trabalhou para reforçar a competitividade, reduzir as dependências estratégicas, reforçar a defesa, apoiar a Ucrânia, alargar as parcerias internacionais e proteger a democracia e os cidadãos”, visando criar uma União Europeia (UE) “mais independente, segura e próspera”, refere o executivo comunitário, numa página na internet dedicada ao discurso anual.
Este discurso surge numa altura em que a UE enfrenta vários desafios, das ameaças híbridas atribuídas à Rússia à crise migratória em Ceuta, passando pelos riscos associados ao desenvolvimento de tecnologias como a inteligência artificial (IA), e em que prepara difíceis negociações sobre o próximo orçamento de longo prazo, que deverá assegurar o financiamento das prioridades comunitárias de 2028 a 2034.
Entre os principais temas do discurso de Ursula von der Leyen deverão estar a defesa e a segurança, numa altura em que os Estados-membros procuram acelerar o reforço das capacidades militares europeias, desenvolver a indústria de defesa e reduzir dependências externas, mantendo o apoio à Ucrânia.
A questão deverá ser enquadrada também pelo aumento das ameaças híbridas atribuídas à Rússia, desde ciberataques e sabotagem a campanhas de desinformação, que têm levado a UE a reforçar a preparação e proteção de infraestruturas críticas.
No plano externo, a presidente da Comissão Europeia deverá abordar a guerra da Rússia contra a Ucrânia e o futuro da relação da UE com os parceiros, num contexto internacional marcado por maior instabilidade e por relações transatlânticas menos previsíveis.
As migrações e a proteção das fronteiras externas deverão também estar em destaque, após a crise de Ceuta e perante a entrada em aplicação do novo Pacto sobre Migração e Asilo, já que a entrada massiva de migrantes no enclave espanhol voltou a expor as diferenças entre Estados-membros sobre a gestão das fronteiras e a repartição de responsabilidades.
A procura de novas parcerias comerciais e estratégicas, incluindo com o Canadá, deverá ser apresentada como parte do esforço para diversificar relações e reduzir dependências, contando aliás com a presença no local do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
A competitividade económica deverá ser abordada, com Von der Leyen a tentar tornar a UE mais atrativa para investir, inovar e produzir face à concorrência dos Estados Unidos e da China, através da redução da burocracia, dos custos energéticos e das dependências externas e do reforço do mercado único e do acesso ao financiamento.
A IA deverá ganhar particular relevância, num momento em que a UE tenta conciliar a ambição de se afirmar na corrida tecnológica com a regulação, e em que surgem alertas sobre eventuais perigos.
A proteção das crianças e dos jovens no ambiente digital poderá dar origem a novos anúncios, depois de a Comissão Europeia ter colocado este tema entre as prioridades, estando em causa possíveis medidas para limitar a exposição de menores às redes sociais e protegê-los de conteúdos nocivos.
A líder do executivo comunitário deverá, ainda, abordar questões diretamente ligadas ao quotidiano dos europeus, como energia, habitação e custo de vida, bem como defesa da democracia e do Estado de direito.
Este é o oitavo discurso sobre o Estado da União de Von der Leyen, mas o segundo do atual mandato, iniciado no final de 2024 e até 2029.
O discurso sobre o Estado da União é proferido anualmente pela presidente da Comissão Europeia perante o Parlamento Europeu, na primeira sessão plenária após as férias, na cidade francesa de Estrasburgo, e serve para fazer um balanço da atividade comunitária e apresentar as prioridades para o ano seguinte.
Instituído em 2010, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o discurso é seguido de um debate com os eurodeputados.
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