No Boletim Trimestral da Dívida Pública relativo ao segundo trimestre de 2026, o Ministério das Finanças atribui a forte redução do serviço da dívida externa ao facto de o primeiro trimestre ter registado uma operação extraordinária relacionada com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“No período em análise, o valor total do serviço da dívida externa posicionou-se em 139,21 milhões de dólares americanos, dos quais 115,75 milhões de dólares americanos [98,1 milhões de euros] correspondem à amortização do capital e 23,46 milhões de dólares americanos [19,9 milhões de euros] ao pagamento de juros”, lê-se.
O documento acrescenta que, “comparativamente ao primeiro trimestre de 2026, registou-se uma redução [82,1%] de 637,26 milhões de dólares [540,1 milhões de euros], explicada, por um lado, pela reprogramação temporal de alguns pagamentos e, por outro, pelo facto de o primeiro trimestre ter registado um serviço da dívida extraordinário, decorrente do adiantamento efetuado pelo Banco de Moçambique” ao FMI.
No primeiro trimestre, o serviço da dívida externa tinha atingido 776,47 milhões de dólares (658 milhões de euros), incluindo 728,83 milhões de dólares (617,8 milhões de euros) em amortizações de capital, contra 139,21 milhões de dólares (117,9 milhões de euros) entre abril e junho.
A operação a que o relatório faz referência ocorreu em março, confirmada mais tarde pelo Ministério das Finanças, sobre uma “amortização integral e antecipada” de 698,6 milhões de dólares (630 milhões de euros), liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT) do FMI, com recurso às Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do país.
Na altura, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou a medida como uma decisão “corajosa”.
“Esta corajosa decisão deve ser vista de forma positiva e estratégica, como um sinal inequívoco da responsabilidade macroeconómica e do reforço da estabilidade internacional de Moçambique. E porque, igualmente, a dignidade de um povo não tem preço”, declarou então o chefe de Estado.
A componente multilateral continuou a absorver a maior parcela dos pagamentos realizados entre abril e junho, somando 73,39 milhões de dólares (62,2 milhões de euros), enquanto os credores bilaterais receberam 65,82 milhões de dólares (55,8 milhões de euros).
Os pagamentos aos credores multilaterais incluíram sobretudo amortizações e juros junto da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), braço concessional do Banco Mundial, que recebeu 56,51 milhões de dólares (47,9 milhões de euros) em amortizações de capital e 16,88 milhões de dólares (14,3 milhões de euros) em juros.
Entre os credores bilaterais destacaram-se, no segundo trimestre, os pagamentos a Portugal, de 21,78 milhões de dólares (18,5 milhões de euros) em capital e 4,91 milhões de dólares (4,2 milhões de euros) em juros, à China, com 8,83 milhões de dólares (7,5 milhões de euros) em amortizações, à Índia, com 5,16 milhões de dólares (4,4 milhões de euros) em amortizações, e ao Japão, com 7,88 milhões de dólares (6,7 milhões de euros) em amortizações.
No mesmo período, Moçambique recebeu novos desembolsos externos no valor de 50,02 milhões de dólares (42,4 milhões de euros), dos quais 81,3% provenientes de instituições multilaterais, concretamente da Associação Internacional para o Desenvolvimento (IDA) do Grupo Banco Mundial.
No final de junho, a dívida externa moçambicana totalizava 8.851 milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros), menos 0,8% do que no trimestre anterior.
Os credores multilaterais representavam 52,2% da carteira, os bilaterais 37,7%, enquanto a obrigação soberana MOZAM 2032 permanecia inalterada em 897 milhões de dólares (760,7 milhões de euros), equivalentes a 10,1% da dívida externa total.
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