O julgamento de 14 pessoas acusadas de envolvimento nos massacres — que fizeram centenas de mortos, incluindo sete membros das forças governamentais e sete apoiantes do ex-Presidente Bashar al-Assad — tinha começado em Alepo, em novembro de 2025.
Segundo a Agência France Presse o tribunal proferiu hoje o veredicto em relação a quatro pessoas, antes de novos julgamentos previstos para o dia 24 de setembro.
O militar condenado a uma pena de 20 anos, membro das forças do Ministério da Defesa, foi considerado culpado pelo “crime de homicídio doloso”, declarou o presidente do Tribunal Penal Militar, o juiz Zakaria Bakkar.
Vários dos acusados, considerados apoiantes de Assad, tinham-se declarado inocentes na abertura do julgamento; um deles alegou que estava no Líbano durante a onda de violência.
Entre eles, um homem originário da região costeira foi condenado à morte por enforcamento — acusado, entre outros crimes, de “agressão com o objetivo de provocar uma guerra civil e confrontos sectários” —, outro foi condenado a prisão perpétua e um terceiro foi absolvido.
A violência, desencadeada – segundo as autoridades – por ataques de apoiantes de Assad contra as próprias forças governamentais, fez pelo menos 1426 mortos, a maioria civis, de acordo com uma comissão nacional de inquérito.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), uma organização não-governamental sediada em Londres, Reino Unido, e que conta com uma vasta rede de informadores na Síria, registou cerca de 1700 mortes — na maioria de alauitas, a minoria a que pertence Bashar al-Assad, deposto em dezembro de 2024.
A comissão nacional de inquérito identificou 298 suspeitos de estarem envolvidos na onda de violência, que fez 238 mortos nas fileiras das forças de segurança e do Exército.
As autoridades enviaram, na altura, reforços para a região: cerca de 200 mil combatentes, segundo a comissão.
As organizações não-governamentais sírias e internacionais relataram massacres entre várias comunidades e grupos étnicos nos quais morreram famílias inteiras, perpetrados por forças governamentais, grupos armados aliados ao Governo em funções e voluntários armados.
Apesar das garantias dadas pelas autoridades islamistas que assumiram o poder no final de 2024 — afirmando que todas as comunidades seriam protegidas —, os alauitas e outras minorias sírias continuam apreensivos.
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