O presidente do Chega, André Ventura, ameaçou, esta sexta-feira, apresentar uma moção de censura ao Governo na próxima terça-feira, dia 1 de setembro, se não houver uma “resolução” no caso que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
“Penso que o Presidente da República foi muito claro. O Presidente da República deu um prazo ao Governo e o ultimato acho que faz sentido, uma vez que acho que o caso de Luís Neves continua a atirar-nos a todos para um lamaçal diário de coisas incompreensíveis e quase grotescas, de ligações ao tráfico de droga, do uso de bens de forma ilegal para uso pessoal e institucional, de incumprimento de regras, falta de explicações”, começou por dizer André Ventura, em declarações aos jornalistas, em Coimbra.
Para o líder do Chega, “uma coisa nunca antes vista na nossa democracia”.
“Se este padrão ético continuar a existir, se não tivermos a resolução desta situação, juntar-nos-emos ao apelo que o Presidente da República fez e apresentaremos uma moção de censura na terça-feira, no dia 1 de setembro, no Parlamento”, afirmou, quando questionado se o partido avançaria ou não como uma moção de censura.
André Ventura salientou que o Chega “não quer provocar nenhuma crise política”, notando que o partido quer “que haja o mínimo de ética nas instituições e quer que esta situação de lodo, lamaçal, de suspeitas de crime, de conluios, etc, sejam resolvidas”. “E, neste momento, só há uma pessoa que pode resolver”, disse, referindo-se ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O presidente do Chega acusou ainda o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de “parecer não ter autoridade sobre Luís Neves, ter medo ou estar condicionado”.
“Só falta termos um ministro que seja uma espécie de Al Capone ou alguma coisa assim no género e que digam assim: já matou três ou quatro pessoas, mas é assim, a coisa continua”, referiu.
André Ventura salientou ainda que “o ministro da Administração Interna já não tem nenhuma autoridade”, notando que ninguém “o leva a sério”.
“Ninguém leva a sério. É um ministro que não pode continuar. Mas isso é uma questão de competência e uma questão de autoridade. Há aqui outras questões de fundo e o Presidente da República, pelo menos, nas notícias que hoje saem deixa a entender isso também. Há aqui uma questão mais de fundo que é de integridade”, frisou.
O líder do Chega elencou alguns dos últimos episódios em que o nome de Luís Neves tem estado envolvido.
André Ventura sublinhou ainda que, se fosse Presidente da República, “teria atuado e falado num momento muito anterior”. “E teria dito: isto é inaceitável face à ausência de explicações”, notou.
“O Presidente António José Seguro, como se sabe, toma o seu tempo, tem a sua própria estratégia, tem a sua forma de comunicar e, às vezes, até de forma mais prudente e, dirá alguém, mais eficaz. Mas, agora, segundo vi na imprensa, também decidiu falar e vir a jogo e dizer que isto é inaceitável”, continuou.
Perguntado se o Chega iria ficar sozinho nesta moção de censura, Ventura disse não saber. “Espero que não venha a haver moção de censura, espero que isto seja resolvido nos próximos dias, que o primeiro-ministro compreende que este ministro não tem nenhumas condições de continuar, que não podemos continuar a atirar para a suspeita, a lama, para a degradação, a vida política nacional como se fosse absolutamente tudo normal”, explicou.
Aos jornalistas, André Ventura assegurou ainda que o Chega não quer crises políticas.
“Eu quero é que o primeiro-ministro resolva uma situação que eu acho que envergonha toda a gente de esquerda, de direita, de centro. Acho que está a envergonhar os nossos parceiros europeus, está a envergonhar os nossos aliados lá fora, está a envergonhar qualquer pessoa que olhe para isto”, concluiu
De recordar que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, tem visto o seu nome envolvido em várias polémicas. Mais recentemente, foi noticiado que o carro conduzido pelo governante, cedido pela Polícia Judiciária, foi apreendido ao traficante de droga Rubén Oliveira, mais conhecido como Xuxas, que foi detido pela PJ em 2022.
[Notícia atualizada às 17h28]

Carro apreendido que Luís Neves usa pertence ao traficante de droga Xuxas
O VW Golf GTD, carro conduzido pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, cedido pela Polícia Judiciária, foi apreendido ao traficante de droga Rúben Oliveira, mais conhecido como Xuxas, detido pela PJ em 2022. No entanto, o processo ainda não transitou em julgado, o que levanta dúvidas sobre a utilização do veículo.
Notícias ao Minuto | 23:31 – 27/08/2026



