Esta mudança é acompanhada com especial atenção, uma vez que o Papa Leão XIV vai encontrar-se com vítimas de violência sexual, a 27 de setembro, em Lourdes (sudoeste do país), durante a deslocação a França.
Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), as vítimas dos crimes sexuais encararam esta mudança com desconfiança sendo que as críticas surgiram em grande número logo após a apresentação do novo modelo, em março.
O episcopado francês tinha criado, em 2021, a Instância Nacional Independente de Reparação (Inirr), na sequência de um relatório que estimava em 330 mil o número de vítimas de violência sexual na Igreja católica desde 1950.
“Recebemos 1.924 solicitações desde março de 2022”, disse à AFP Marie Derain de Vaucresson, presidente da Inirr, órgão criado para tratar de casos ocorridos nas dioceses.
Uma outra instância, que permanece ativa, ocupa-se dos casos envolvendo congregações religiosas.
O objetivo foi implementar um processo restaurativo de escuta e reconhecimento que conduzisse a uma reparação, fosse simbólica, como a colocação de uma placa ou um pedido de perdão, ou financeira, com as vítimas a poderem receber até 60 mil euros.
“A Inirr foi criada para oferecer uma resposta quando nenhuma outra era possível”, especialmente no âmbito judicial, disse Derain.
O organismo, inicialmente criado por três anos e posteriormente prolongado, termina hoje e não vai aceitar “novas exigências”, embora continue a acompanhar os processos em curso por um período de 18 meses.
Aqueles que procuram reparação devem recorrer, a partir de 01 de setembro (terça-feira), a uma estrutura denominada Renaître (Renascer), que a Conferência dos Bispos de França (CEF) apresenta como “uma continuidade”, e não “uma rutura”.
Nesta nova estrutura, as vítimas devem recorrer a centros de acolhimento nas dioceses que depois têm de enviar os casos destinados aos processos de justiça restaurativa para uma rede local de acompanhantes organizada como um organismo nacional independente.
A presidente do coletivo de defesa das vítimas Ampaseo Michèle Le Reun-Gaigné considerou o novo sistema “uma casca vazia”, sublinhando que o fim do Inirr “é uma catástrofe”, por ser o desaparecimento de um órgão independente e competente.
Michèle Le Reun-Gaigné manifestou preocupação, nomeadamente, com a existência de mecanismos que considerou muito desiguais entre as dioceses.
O nome escolhido (Renaître) também é encarado como pouco adequado para muitas associações de defesa das vítimas.
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