“A autoridade sobre as detenções e restrições administrativas deve ser transferida do ministro da Defesa e do Exército para o ministro da Segurança Nacional e da Polícia israelita”, escreveu Ben-Gvir, que vive como colono na Cisjordânia, na rede social X.
As detenções administrativas, referidas pelo ministro de extrema-direita no Governo de coligação chefiado por Benjamin Netanyahu, aplicam-se na Cisjordânia quase exclusivamente aos palestinianos e podem implicar longos períodos sem acusações ou julgamentos.
Ben-Gvir defendeu a transferência da autoridade de prisão na Cisjordânia contra “anarquistas” e “elementos de movimentos antissionistas”, termos que utiliza frequentemente para se referir a ativistas, tanto israelitas como internacionais, que apoiam os palestinianos na Cisjordânia.
“Chegou a hora de empregar estas ferramentas contra os inimigos do Estado”, escreveu.
Enquanto ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben-Gvir está ligado ao agravamento das condições para os palestinianos nas prisões israelitas, onde organizações da Palestina, de Israel e internacionais denunciam atos de tortura, agressões sexuais e privação de sono e restrições de alimentos e produtos de higiene.
O governante é também um defensor acérrimo da anexação da Cisjordânia e do movimento dos colonos no território.
Entre as suas ações radicais, em maio fez-se filmar, triunfante, junto de ativistas ajoelhados e algemados da flotilha internacional que procurava chegar à Faixa de Gaza com ajuda humanitária. Também faz visitas provocatórias frequentes à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, o terceiro lugar sagrado no Islão.
Hoje sugeriu que o exército israelita deveria matar seletivamente entre 30 e 40 palestinianos todas as noites na Faixa de Gaza, porque “não merecem viver lá”.
Na sexta-feira, o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou que instruiu as Forças de Defesa de Israel a prepararem-se para transferir a autoridade civil de segurança da Cisjordânia para a polícia, de modo a que os militares se pudessem concentrar em “combater o terrorismo palestiniano”, em vez de perseguir “jovens em colinas”, um eufemismo para os colonos violentos.
Hoje, afirmou ter dado às Forças de Defesa de Israel duas semanas para apresentarem um plano para a transferência.
Segundo a imprensa israelita, não é claro o impacto desta medida no terreno, uma vez que Israel nunca anexou formalmente a Cisjordânia, território palestiniano ocupado segundo o direito internacional, e é o exército que se encarrega de alegadas operações de segurança, entregando depois à polícia os suspeitos detidos.
Na sua publicação nas redes sociais, Ben-Gvir celebrou o anúncio do colega da Defesa como mais um passo para a absorção do território: “Este é um passo importante para a soberania israelita na Judeia e Samaria”, escreveu, usando os termos administrativos de Israel para a Palestina.
A medida foi anunciada por Israel Katz em pleno cerco de colonos israelitas na localidade de Qusra, norte da Cisjordânia, há mais de uma semana.
Apesar do envio de soldados para a zona há vários dias, os colonos não foram afastados.
Mais de 500 mil israelitas vivem em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais à luz do direito internacional, ao lado de perto de três milhões de palestinianos.
A violência na Cisjordânia tem aumentado desde os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023, no sul de Israel, que aumentou as restrições impostas à população do território.
Segundo as Nações Unidas, 1.111 palestinianos, dos quais pelo menos 243 crianças, foram mortos desde então até meados de julho na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, em ataques atribuídos a colonos radicais ou incursões militares do exército.
Israel tem eleições previstas para o próximo mês de outubro e as sondagens não garantem a continuidade do Governo de coligação de Netanyahu com a extrema-direita.
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