O advogado afirmou ainda que as acusações foram feitas “sem provas”.
As detenções ocorrem num contexto de crescente repressão das vozes dissidentes neste país do Corno de África.
Yisak Wolday, responsável pelas relações públicas do Partido Revolucionário do Povo Etíope (EPRP), Abebe Akalum, membro do EPRP, e Abera Nigus, advogado que representou vários membros desta formação da oposição, foram detidos na segunda-feira.
Segundo um documento policial a que a AFP teve acesso, os três homens, que compareceram hoje perante um tribunal de Adis Abeba, são acusados de quererem “tomar o poder pela força” e de terem “planeado ações terroristas”.
São também acusados de terem ligações às autoridades rebeldes do Estado regional setentrional do Tigré e à Eritreia, que mantêm relações muito tensas com as autoridades federais etíopes.
“São acusações completamente falsas”, reagiu à AFP a secretária-geral do EPRP, Mistresilasie Tamerat.
“Não existem provas contra eles, a polícia limitou-se a apresentar artigos de imprensa para fundamentar as acusações”, declarou, por outro lado, Mebrihi Brhane, advogado de Abera Nigus.
Segundo Mebrihi, a polícia deverá apresentar na quinta-feira provas das acusações e o tribunal decidirá na sexta-feira “se os liberta sob caução ou se os coloca em prisão preventiva”.
No documento consultado pela AFP, a polícia considera que “se os suspeitos forem libertados sob caução, poderão intimidar, assediar ou influenciar testemunhas, destruir elementos de prova ou perturbar a investigação”.
O EPRP foi uma das formações mais críticas do Partido da Prosperidade (PP), do primeiro-ministro Abiy Ahmed, durante a campanha para as legislativas de 01 de junho.
O escrutínio foi amplamente vencido pelo PP, que conquistou 90% dos lugares na câmara baixa do parlamento.
O EPRP, formação que lutou contra o regime militar marxista do Derg (1974-1991), responsável pelo período conhecido como “Terror Vermelho”, não conquistou qualquer lugar.
A Etiópia, gigante da África Oriental com cerca de 130 milhões de habitantes, é governada desde 2018 por Abiy Ahmed.
Ao chegar ao poder, Abiy, que viria a receber o Prémio Nobel da Paz em 2019, deu sinais de abertura, libertando, nomeadamente, presos políticos.
Mas, nos últimos anos, a sua governação tem sido cada vez mais criticada por defensores dos direitos humanos devido à repressão das vozes dissidentes.
Vários jornalistas foram recentemente impedidos de exercer a profissão ou expulsos do país.
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