O sistema Volta, de depósito e reembolso de embalagens de bebidas de uso único, está em vigor desde abril e nos últimos dias circulou nas redes sociais um “teste feito” por um utilizador que concluiu o seguinte: “É facilmente aldrabado”. Confrontada com este exemplo, a SDR Portugal assegurou ao Notícias ao Minuto que o sistema Volta funciona numa “lógica de melhoria contínua” e garante “múltiplos mecanismos de controlo”.
O esquema
Um utilizador decidiu testar o sistema Volta, recorrendo a um código de barras falso e a embalagens que, supostamente, não são elegíveis para a recolha. O resultado? Uma garrafa de iogurte foi aceite pelo sistema e o utilizador recebeu os 10 cêntimos do reembolso, o que o leva a concluir que “o sistema Volta é facilmente aldrabado“.
“Não pretendo incentivar à fraude nem à falsificação. O objetivo deste teste foi perceber a robustez de um sistema financiado com centenas de milhões de euros e demonstrar que existem fragilidades que poderão permitir utilizações indevidas”, ressalva o mesmo utilizador, acrescentando que “todos os ganhos obtidos com estas operações foram doados à Caritas”.
O responsável pelo “teste” acrescenta ainda que devem ser avaliadas melhorias ao sistema e até sugere “três caminhos possíveis: aceitar todas as embalagens de plástico e metal, simplificando o processo; melhorar a validação física das embalagens através de visão computacional ou sensores adicionais; ou reconsiderar totalmente o modelo atual”.
A garantia da SDR Portugal
O Notícias ao Minuto confrontou a SDR Portugal, associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do Volta, com este exemplo e a resposta foi a seguinte: “O Sistema de Depósito e Reembolso, que funciona sob a marca Volta, foi concebido com múltiplos mecanismos de controlo e validação para prevenir e detetar tentativas de fraude e de utilização indevida“.
“Como acontece noutros Sistemas de Depósito e Reembolso implementados na Europa, podem existir tentativas isoladas desta natureza que, importa explicitar, não correspondem a uma utilização legítima do sistema e configuram uma prática fraudulenta. Identificadas, são denunciadas às autoridades competentes”, acrescentou.
A SDR Portugal garante ainda que “acompanha de forma permanente a operação do sistema e reforça, sempre que necessário, os mecanismos de controlo e validação, numa lógica de melhoria contínua“, sendo que “este acompanhamento faz parte do modelo de operação da Volta e permite que o sistema evolua em função da experiência operacional, dos dados recolhidos e das melhores práticas internacionais neste tipo de sistemas”.
O balanço até ao momento
Ainda em resposta ao Notícias ao Minuto, a SDR Portugal adiantou que, entre 10 de abril e 25 de junho, os consumidores devolveram 25 milhões de embalagens através dos mais de 2.500 pontos Volta distribuídos por Portugal continental e pelas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
“Este resultado foi alcançado ainda durante o período de transição do Sistema de Depósito e Reembolso, que decorre até 9 de agosto, numa fase em que as embalagens com símbolo Volta continuam a entrar progressivamente no mercado”, assegurou a mesma fonte.
A SDR Portugal sublinhou ainda que os “dados refletem uma adesão positiva dos consumidores ao sistema nesta fase inicial de implementação do sistema”.

“Volta” faz balanço “muito positivo”, mas Deco aponta falta de informação
A entidade gestora do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) faz um balanço “muito positivo” do arranque da operação, mas a Deco diz que os consumidores continuam pouco informados sobre como reaver o depósito pago pelas embalagens de bebidas.
Lusa | 09:29 – 23/06/2026
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