No debate quinzenal com o primeiro-ministro, que decorreu na Assembleia da República, o secretário-geral do PCP começou por enumerar um conjunto de problemas no país, como a falta de médicos e enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, de professores na Escola Pública ou a crise na habitação.
Paulo Raimundo acusou o primeiro-ministro de ir ao baú” e “sacar a sua frase enigmática” de que “o país está melhor”.
“Bem sei que o senhor primeiro-ministro tende a ver o país a partir dos olhos das famílias Azevedo, Soares dos Santos, Amorim e dessa meia dúzia de famílias que arrecadaram 650 milhões de euros no ano passado só em dividendos. Mas será que não se apercebe que a sua afirmação é de certa forma ofensiva para todos aqueles que enfrentam um brutal aumento do custo de vida?”, questionou.
O primeiro-ministro reconheceu que são necessários mais médicos e professores mas argumentou que existem hoje mais do que em 2024, quando começou a governar.
“Deixe-me dizer-lhe: o Governo governa para todas as famílias, para a Azevedo, para a Soares dos Santos e também para a família Raimundo”, respondeu, numa referência ao nome do secretário-geral comunista.
O chefe do executivo passou em revista um conjunto de medidas adotadas pelo Governo e sobre as quais “a família Raimundo” já terá beneficiado, como as descidas no IRS, o IRS Jovem, benefícios fiscais para jovens abaixo de 35 anos no acesso à habitação, mas também aumento do Complemento Solidário para Idosos.
“As famílias portuguesas Azevedo, Soares dos Santos e Raimundo estão todas a usufruir. Claro que dentro destas estão a usufruir sobretudo aquelas que têm mais dificuldade”, salientou.
Ainda assim, o primeiro-ministro não quis ignorar todas as pessoas que vivem “no limiar da pobreza”, considerando que é necessário ter respeito pelo tema.
“Mas dois anos volvidos em que sequencialmente o nível de pobreza está a diminuir, era caso para o deputado Paulo Raimundo e a família Raimundo também cumprimentarem o Governo por isso”, ironizou.
Paulo Raimundo reconheceu que o primeiro-ministro “foi muito inteligente” na resposta mas salientou que a maior parte das famílias “não têm benefícios fiscais no IRC” ou outras isenções fiscais.
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