Um estudo do Banco de Portugal (BdP) relativo a 2025, divulgado esta segunda-feira, revela que, “do total de 3.092 freguesias do país, 1.241 (40%) não dispunham de nenhum ponto de acesso a numerário” sendo que, “nessas freguesias, habitavam 700 mil pessoas”. Não obstante, na quarta edição do estudo sobre a rede de acesso a numerário em Portugal é ainda assinalado que, no ano passado, “a cobertura da rede de acesso a numerário continuava a ser quase integral” no nosso país.
Num comunicado publicado na página do BdP, o regulador aponta que “95% da população dispunha de um ponto de acesso a numerário a menos de 5 quilómetros, por via rodoviária, da residência” e “99% a menos de 10 quilómetros”.
“Acresce que 93% da população dispunha de um ponto de acesso alternativo a menos de 5 quilómetros, e 98% a menos de 10 quilómetros, o que atenua o impacto de eventuais indisponibilidades, falhas operacionais ou decisões de racionalização da rede”, é ainda explicado.
Deste modo, Portugal mantinha-se “entre os países da área do euro com níveis de cobertura de acesso ao numerário mais elevados”.
Em que áreas a cobertura era mais reduzida?
As conclusões divulgadas pelo Banco de Portugal vincam ainda que “persistiam áreas onde a cobertura da rede de acesso a numerário era mais reduzida, sobretudo zonas periféricas, com baixa densidade populacional, povoamento disperso e menor atividade económica“.
E, “do total de 3.092 freguesias do país, 1.241 (40%) não dispunham de nenhum ponto de acesso a numerário. Nessas freguesias habitavam 700 mil pessoas (7% da população nacional), que tinham de sair da área de residência para levantar dinheiro“. “A maioria (90%) situava-se em áreas rurais. Nos distritos de Bragança e Vila Real, mais de 40% da população vivia em freguesias naquelas condições”, salienta-se.
Os concelhos com “maiores desafios no acesso a numerário eram Beja, Boticas, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Chaves, Mirandela, Mogadouro, Montalegre, Torre de Moncorvo, Vimioso e Vinhais“, sendo que “concentravam o maior número de freguesias sem ponto de acesso a numerário e com células populacionais a mais de 20 quilómetros da rede.”
Na mesma nota, o BdP frisa que “embora as dificuldades se mantenham circunscritas e a situação não aparente ter-se agravado nos últimos anos, é importante ter presente que o numerário continua a ser um instrumento de pagamento essencial e um instrumento de inclusão financeira e, como tal, é fundamental assegurar que a população dispõe de condições adequadas de acesso“.
“Os resultados deste estudo sugerem que eventuais respostas beneficiarão de uma abordagem geograficamente direcionada“, é também indicado.
O Banco de Portugal afirma, por fim, que “continuará a acompanhar a evolução do mercado e a promover a reflexão sobre medidas que permitam responder aos desafios identificados.”

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Notícias ao Minuto | 14:47 – 06/07/2026



