O acordo foi hoje discutido entre Erdogan e o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, em Ancara.
Al-Zaidi esteve na Turquia para conversações sobre segurança, comércio, energia, transportes e gestão dos recursos hídricos, bem como projetos conjuntos de infraestruturas entre os dois países vizinhos.
“O nosso objetivo é agora assinar um acordo abrangente de cooperação energética o mais rapidamente possível, que beneficie ambos os lados”, frisou Erdogan durante uma conferência de imprensa conjunta com Al-Zaidi, referindo que um acordo anterior entre os dois países para o oleoduto Kirkuk-Ceyhan tinha expirado.
Erdogan salientou que a petrolífera estatal turca, TPAO, vai adquirir uma participação de 15% na BP Energy Company of Kirkuk Limited, em virtude de um acordo separado de transferência de ações assinado hoje.
Al-Zaidi, que emergiu como o candidato de consenso no Iraque após meses de impasse sobre o cargo de primeiro-ministro após as eleições parlamentares do ano passado, visitou Ancara após viagens a Washington e Teerão.
Após as conversações de Al-Zaidi com o Presidente dos EUA, Donald Trump, no início deste mês, as empresas norte-americanas assinaram acordos e parcerias no valor de cerca de 60 mil milhões de dólares com o Iraque, incluindo acordos destinados a criar rotas alternativas para o transporte de petróleo do Golfo Pérsico.
Um dos projetos em consideração é um oleoduto que ligaria Bassorá, no sul do Iraque, a Haditha, no oeste do país, e daí ao porto de Ceyhan, na Turquia, e ao porto de Baniyas, na costa da Síria.
O encontro em Ancara ocorreu em plenas negociações da Turquia para pôr fim a um conflito de décadas com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), cujos combatentes estão concentrados sobretudo no norte do Iraque.
No ano passado, o PKK anunciou que iria depor as armas e dissolver-se como parte dos esforços para chegar a um acordo.
A Turquia planeia promulgar legislação para ajudar a avançar nos esforços de paz, que deverá incluir uma amnistia limitada que poderá permitir o regresso de alguns militantes à Turquia.
“Estamos em diálogo constante com os nossos irmãos iraquianos para garantir que o nosso processo de uma Turquia livre de terrorismo e a nossa visão de uma região livre de terrorismo se tornem realidade”, apontou Erdogan.
O PKK tem travado uma insurgência armada desde 1984, que já fez dezenas de milhares de mortos. É considerado uma organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Al-Zaidi deverá viajar para a Arábia Saudita na quinta-feira, numa altura de tensões elevadas depois de o reino ter alegado que milícias iraquianas apoiadas pelo Irão lançaram ataques com drones contra o país.
O líder iraquiano prometeu desarmar os grupos armados não estatais no Iraque até ao final de setembro, um prazo que será provavelmente difícil de cumprir, principalmente porque algumas das milícias mais poderosas afirmaram que não entregarão as suas armas.
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