“O valor licitado na Ilha dos Puxadoiros é inferior ao valor base. Desta forma, será enviado um relatório de leilão aos proprietários de forma a analisarem a proposta e tomarem uma decisão”, refere a mesma fonte.
De acordo com a página na internet da leiloeira, só foi registada uma licitação no valor de 615 mil euros, 135 mil euros abaixo do valor base.
Com cerca de 37 hectares, no coração da ria de Aveiro, a Ilha dos Puxadoiros, onde estão incluídas oito marinhas, foi adquirida há vários anos por um grupo de investidores que fundou a empresa Canal do Peixe.
O grupo de investidores procedeu à recuperação da ilha e criou novas áreas de negócio e atividades, incluindo a produção de ostras, num investimento que ultrapassou um milhão de euros e que recebeu mais de meio milhão de euros de fundos comunitários.
“Primeiro, mantivemos a produção de sal, que na altura ainda existia. Depois, descobrimos que a ilha era riquíssima em salicórnia – chegámos a produzir e vender toneladas de salicórnia. Mas, desde o início, que a ostra nos parecia como sendo o produto mais adequado para valorizar a ilha sem haver deterioração do ambiente”, contou Vergílio Rocha, um dos proprietários.
Em agosto de 2014, a então ministra da Agricultura e do Mar Assunção Cristas visitou o local para observar novas formas de produção e revitalização de atividade tradicionais das salinas, com destaque para o projeto de produção de ostras que tinha arrancado no início desse ano.
Atualmente, dos sócios originais, restam apenas quatro que vivem em Lisboa e que, por esse motivo, decidiram vender a ilha, por entender que o negócio deixou de ser viável.
“Este é um negócio que exige a presença no local. Tentámos criar uma base de gestão local. Fizemos várias tentativas que, por razões diversas, foram fracassando e não nos restava outra hipótese senão vender a ilha”, explicou Vergílio Rocha.
De acordo com a leiloeira que geriu o processo da venda ‘online’, a propriedade “apresenta elevado potencial para atividades ligadas à aquacultura, produção de bivalves, turismo de natureza, experiências gastronómicas, eventos exclusivos e projetos sustentáveis”.
É composta por marinhas, viveiros, estruturas de apoio, equipamentos e exploração aquícola, inserida num enquadramento paisagístico de rara beleza natural.
O conjunto inclui ainda edificações de apoio, nomeadamente a Casa da Ilha, dois palheiros e a Casa da Pinta, destinada ao apoio da atividade piscícola, para além de diversos equipamentos e infraestruturas operacionais, como um barco de recreio e um trator.
O negócio também contempla títulos de atividade aquícola associados aos estabelecimentos 1229 Pinta e 1939 Canal do Peixe.
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