As audições decorrem depois de documentos relacionados com o empresário financeiro e criminoso sexual Jeffrey Epstein, terem revelado ligações a várias personalidades norueguesas, incluindo antigos responsáveis políticos e diplomatas.
Em causa está também a transferência de mais de 130 milhões de coroas (cerca de 12 milhões de euros) pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre 1997 e 2018, para o International Peace Institute (IPI).
O centro de estudos foi dirigido entre 2005 e 2020 pelo diplomata norueguês Terje Rød-Larsen.
“Não há razão para falar de cultura doentia numa grande organização com base no que uma ou algumas pessoas possam ter feito”, declarou Støre perante a Comissão de Controlo e Assuntos Constitucionais do Storting, o parlamento norueguês.
“Não se pode meter todos no mesmo saco”, acrescentou o chefe do Governo trabalhista, ouvido na qualidade de antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo que exerceu entre 2005 e 2012.
Após a divulgação dos documentos relacionados com Epstein, Rod-Larsen e a mulher, a diplomata Mona Juul, passaram a ser investigados pelas autoridades norueguesas.
Juul é investigada por suspeitas de “corrupção agravada” e Rod-Larsen por alegada “cumplicidade em corrupção agravada”.
O casal, que desempenhou um papel central nas negociações que conduziram aos Acordos de Oslo no início da década de 1990, nega qualquer irregularidade.
No total, 11 responsáveis que exerceram os cargos de ministro dos Negócios Estrangeiros ou ministro da Ajuda ao Desenvolvimento desde 2005 serão ouvidos pela comissão parlamentar.
Os documentos relacionados com Epstein revelaram igualmente ligações do financeiro norte-americano, que morreu na prisão em 2019, a outras figuras norueguesas.
Entre elas estão Thorbjorn Jagland, antigo primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, ex-secretário-geral do Conselho da Europa e ex-presidente do Comité Nobel, e Borge Brende, antigo chefe da diplomacia norueguesa.
Jagland é também investigado por suspeitas de “corrupção agravada”, mas não está entre os responsáveis convocados pelo parlamento.
Brende, pelo contrário, deverá ser ouvido pela comissão, depois de ter renunciado em fevereiro à presidência do Fórum Económico Mundial.
“Os documentos sobre Epstein levantam questões graves sobre possíveis abusos de cargo, uma cultura de falhas no apuramento de responsabilidades e a má gestão dos fundos de ajuda ao desenvolvimento”, afirmou Jonas Andersen Sayed, membro da comissão parlamentar.
“O caso afeta a confiança do público em todo o sistema. É essencial que tudo seja esclarecido, que as responsabilidades sejam apuradas e que sejam implementadas as reformas necessárias”, acrescentou.
As audições parlamentares não têm, por si só, poder para aplicar sanções.
O Parlamento criou também uma comissão de inquérito independente para realizar uma investigação mais abrangente ao caso, estando prevista a apresentação do relatório final até 31 de janeiro de 2028.
O caso Epstein refere-se ao escândalo de abuso e exploração sexual envolvendo o milionário norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de recrutar e abusar sexualmente de dezenas de raparigas, algumas menores, ao longo de vários anos. Epstein, que mantinha relações sociais e profissionais com numerosas figuras influentes da política, dos negócios e do entretenimento.
Epstein foi detido em 2019 por acusações federais de tráfico sexual de menores, mas morreu na prisão, em Nova Iorque, antes de ser julgado, numa morte oficialmente considerada suicídio.
O caso continuou, porém, a gerar investigações e controvérsia, nomeadamente devido à dimensão da rede de contactos de Epstein, à eventual participação ou conhecimento de terceiros e à divulgação de documentos judiciais relacionados com as suas atividades.
Leia Também: Epstein: França processada por ex-modelo e organização por negligência



