Estão em curso negociações com o Reino Unido “sobre os termos de saída do acordo migratório ‘one in, one out'”, concluído no verão de 2025, afirmou o ministério à agência francesa de notícias AFP confirmando uma notícia do jornal Le Monde.
Este acordo experimental de um ano, concluído em julho de 2025, prevê o regresso a França dos migrantes que chegam ao Reino Unido em embarcações clandestinas, através do Canal da Mancha, em troca do reconhecimento legal, por parte do Reino Unido, dos migrantes que já se encontram em França.
O acordo tinha sido prorrogado até 01 de outubro e, numa audição numa comissão parlamentar de inquérito, a 15 de junho, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, afirmou ter “informado claramente o seu homólogo de que este acordo-piloto (…) não deveria ser renovado”.
Segundo o Le Monde, a posição de Paris manteve-se firme apesar dos esforços britânicos para prolongar o acordo-piloto, com o novo primeiro-ministro trabalhista, Andy Burnham, a insistir na continuidade do programa durante o seu encontro com o Presidente francês, Emmanuel Macron, no início de setembro, em Londres.
Preocupado com o aumento contínuo, desde 2018, das travessias irregulares do Canal da Mancha em pequenas embarcações, o Governo britânico convenceu a França, em 2025, a assinar o acordo, que se baseava num novo mecanismo de intercâmbio entre os dois países.
Isto criou um precedente, já que estabeleceu, pela primeira vez, o princípio de repatriamento para França dos migrantes rejeitados pelo Reino Unido.
Apesar dos repetidos pedidos britânicos, a França tinha recusado consistentemente tais acordos até Bruno Retailleau ter assumido o cargo de ministro do Interior, em setembro de 2024.
As travessias do Canal da Mancha em embarcações improvisadas assumiram um caráter de problema nacional em 2018 e tem crescido o número de pessoas resgatadas ou a bordo de pequenos botes.
A maior parte destes migrantes provém de países marcados por conflitos armados ou regimes autoritários, como a Eritreia, o Afeganistão, o Sudão, o Irão ou a Somália.
Nos últimos anos, o Reino Unido tem sido palco de vários protestos violentos contra imigrantes, alimentados pela ascensão do partido anti-imigração Reform UK.
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