O caso de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos, nos Estados Unidos da América, em 2023, está a emocionar o mundo inteiro. Trata-se não só de um assumido caso de homicídio, mas também de uma história que nos diz muito sobre saúde mental, depressão pós-parto e um pedido de ajuda que nunca ninguém valorizou.
A mulher, de 35 anos, nunca negou a autoria do crime, assumido aliás em tribunal. No entanto, alega um quadro psicológico frágil que nunca escondeu e pelo qual várias vezes pediu ajuda.
Por esse motivo, muitos são os que se têm colocado do lado de Lindsay, para lhe prestar o seu apoio. São sobretudo mulheres, que se vestem de rosa, e que tentam transmitir paz à mãe de luto.
Foi o que aconteceu no passado dia 20 de agosto, quinta-feira, junto ao tribunal de Plymouth, Massachusetts, onde Lindsay está a ser julgada.
“Acredita”, “Ela precisava de ajuda” ou “Paz para Lindsay” são algumas das frases inscritas nas t-shirts vestidas pelos apoiantes. Ao todo, segundo o The Guardian, seriam cerca de 300 mulheres e alguns homens. Todos acreditam que esta história não se resume apenas à morte de três crianças e que deve servir de exemplo para mudar a forma como olhamos para a saúde mental e para a forma como o sistema olha para as mulheres.
Recorde-se que, semanas antes do crime, Lindsay chegou a procurar ajuda médica em várias clínicas e hospitais, onde lhe foi prescrita uma grande quantidade de medicamentos que, de acordo com a defesa, agravaram drasticamente o seu estado mental.
“As mulheres estão a ser menosprezadas, negligenciadas e ignoradas quando se manifestam”, afirmou April Vincent, uma assistente jurídica de 52 anos de Providence, Rhode Island, que se encontrava na manifestação de apoio a Lindsay: “Temos medo porque ninguém nos leva a sério”, atirou.
No local, a organizadora do encontro, Renee Kimball, exortou a multidão a acreditar que Kevin Reddington, o advogado de defesa, “partilha a luta de Lindsay”.
Os apoiantes formaram um círculo, rezaram o Pai Nosso, ergueram os braços e formaram corações com as mãos. Alguns empunhavam bandeiras de diferentes países para mostrar que o apoio a Clancy era internacional. Pode comprová-lo na galeria acima.
O caso de Lindsay Clancy
O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2023, em Duxbury, Massachusetts, quando Lindsay Clancy, então com 32 anos, aproveitou o momento em que o marido, Patrick Clancy, saiu de casa a seu pedido para ir buscar jantar e medicação para a filha mais velha.
Durante os cerca de 55 minutos em que o marido esteve fora, Lindsay estrangulou os três filhos – Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses – na cave da habitação. Depois, cortou os pulsos e o pescoço e saltou do segundo andar numa tentativa de colocar termo à própria vida.
Os dois filhos mais velhos morreram no próprio dia, enquanto o mais novo acabou por morrer dias depois no hospital. Já Lindsay sobreviveu à queda, mas sofreu lesões graves na coluna que a deixaram paraplégica.
A acusação pretende agora que Lindsay Clancy seja criminalmente acusada e condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sustentando que se tratou de um “crime deliberado e planeado”.
A defesa, por sua vez, argumenta que Lindsay Clancy não pode ser considerada criminalmente responsável devido a uma grave patologia mental.
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