Num comunicado, o Ministério da Defesa do Governo reconhecido pela comunidade internacional afirmou que as forças armadas retaliariam esta “agressão, no momento e no local adequados”.
Os rebeldes Huthis do Iémen reivindicaram ataques contra as forças das autoridades iemenitas internacionalmente reconhecidas, alegando que se trata de uma resposta ao reforço dessas tropas apoiadas pela Arábia Saudita.
“As nossas forças armadas levaram a cabo uma operação de grande envergadura contra concentrações de tropas do inimigo saudita”, indicou num comunicado o porta-voz militar dos Huthis, Yahya Saree, denunciando “um importante reforço militar saudita”.
Fontes médicas citadas pela agência de notícias France-Presse (AFP) referiram pelo menos 38 mortos nestes ataques, enquanto outras fontes anónimas citadas pela agência espanhola EFE apontaram para 35 soldados mortos.
Os Huthis lançaram pelo menos nove mísseis balísticos e um número indeterminado de drones contra bases militares das Forças Armadas do Iémen, a oeste de Hadramut e Marib, segundo a EFE.
Trata-se de um dos ataques mais mortíferos perpetrados pelo grupo rebelde xiita apoiado pelo Irão contra o Governo internacionalmente reconhecido desde a trégua patrocinada pela ONU, que entrou em vigor em 2022 e que se tem mantido em grande medida, apesar de ter expirado poucos meses depois.
O porta-voz militar dos Huthis afirmou que o movimento xiita levou a cabo “uma operação precisa e em grande escala contra concentrações de tropas do inimigo saudita” nessas províncias, e afirmou que “centenas de mercenários” contratados pela Arábia Saudita morreram ou ficaram feridos.
O Iémen está envolvido numa guerra civil desde 2014, quando os Huthis tomaram a capital, Sana.
Uma coligação liderada pela Arábia Saudita interveio meses mais tarde e tem vindo a combater os rebeldes desde 2015, numa tentativa de restabelecer o governo internacionalmente reconhecido no poder.
Um plano de tréguas moderado pela ONU, em abril de 2022, reduziu significativamente os confrontos em larga escala, mas a situação no Iémen vive um profundo impasse político e militar.
Os rebeldes apoiados pelo Irão têm atacado vários navios mercantes sauditas nos últimos dias.
Só na quarta-feira, os Huthis atacaram dois petroleiros, totalizando nove o número de navios atacados desde o bloqueio contra a frota saudita anunciado no final de julho, de acordo com os dados divulgados pelos rebeldes.
A campanha lançada pelos Huthis ameaça a capacidade da Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo bruto, de escoar bens para os mercados internacionais.
Ocorre também a par do bloqueio do Irão, aliado dos Huthis, à navegação comercial no estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% dos produtos petrolíferos antes da ofensiva militar iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
Com o bloqueio de Ormuz, o porto de Yanbu tornou-se na principal porta de saída do petróleo saudita, enquanto o estreito de Bab el-Mandeb converteu-se numa passagem crucial para o tráfego marítimo entre o mar Vermelho e o oceano Índico, através do canal do Suez.
Após um ataque ao aeroporto de Sana, em 13 de julho, incursão que os Huthis ligaram a Riade, os rebeldes iniciaram ataques contra infraestruturas energéticas da Arábia Saudita, que respondeu contra posições do grupo iemenita no Iémen.
Até ao cessar-fogo na Faixa de Gaza, em outubro do ano passado, os Huthis ameaçaram igualmente o tráfego marítimo comercial ao largo da costa do Iémen, alegando solidariedade com o aliado palestiniano Hamas na guerra com Israel.
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