“As coordenadas geográficas da rota proposta foram acordadas por ambas as partes e, salvo interferência de terceiros, a declaração conjunta que define os principais pontos do acordo encontra-se em fase final de revisão e redação”, declarou Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, citado pela agência noticiosa oficial IRNA.
O porta-voz ressalvou que um acordo com Omã não levará, por si só, à reabertura imediata do estreito de Ormuz, argumentando que o bloqueio iraniano ao tráfego marítimo comercial foi uma consequência da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro contra a República Islâmica e das repercussões de segurança resultantes.
Segundo Baghaei, enquanto o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos se mantiver, juntamente com outras ações que descreveu como “agressivas e ameaçadoras”, o estreito não pode ser considerado seguro para a navegação comercial.
As negociações entre o Irão e Omã, dois países que fazem fronteira no estreito de Ormuz, decorrem há dois meses de forma “profissional” e “progressiva”, segundo Baghaei, com o objetivo de estabelecer uma rota segura para a navegação comercial e definir um mecanismo para regular o tráfego marítimo, tendo em conta os aspetos técnicos, jurídicos, de segurança e ambientais.
O diálogo entre as autoridades de Teerão e Mascate ocorre após o colapso do memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e a República Islâmica em 17 de junho, que previa um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias com vista a um acordo de paz definitivo.
As partes voltaram porém à confrontação militar, com Teerão a repor as restrições no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos bens petrolíferos antes da guerra, e Washington a aplicar novamente um bloqueio naval aos portos iranianos.
O líder da Casa Branca ordenou entretanto uma suspensão dos ataques aéreos alegando que agiu a pedido dos países mediadores e da própria República Islâmica, que no entanto desmente a existência de conversações com Washington mas não com Omã.
Donald Trump afirmou nas últimas horas que o estreito de Ormuz iria reabrir “muito em breve”, esperando um acordo hoje ou quinta-feira, sob ameaça do regresso dos ataques aéreos.
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