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A “Comissão Especial de Investigação”, aprovada numa sessão realizada na quarta-feira, ficará “encarregada de investigar as supostas manobras de influência exercidas na Bolívia por José Luis Rodríguez Zapatero e outros intervenientes nacionais ou estrangeiros, a favor do Grupo Gloria do Peru”, explicou a câmara alta do Parlamento em comunicado.
Esta comissão vai investigar também a “eventual influência” de Zapatero e dos outros possíveis implicados “em decisões judiciais e constitucionais relacionadas com um litígio empresarial”, acrescentou.
A comissão vai ser composta por seis senadores das diferentes forças políticas com representação na câmara alta e terá um prazo de até três meses para realizar a investigação e apresentar um relatório final ao plenário.
Na semana passada, foi divulgado um relatório da Unidade de Crimes Económicos e Fiscais (UDEF) da Polícia Nacional de Espanha, que sustenta que Zapatero participou numa “dinâmica de intermediação e influências” junto de autoridades da Bolívia, com o objetivo de “beneficiar os interesses” do Grupo Gloria, “mediante uma contrapartida económica de 200 mil euros”.
O relatório inclui conversas no WhatsApp entre Zapatero e a secretária, Gertrudis Alcázar, bem como várias agendas do ex-presidente Luis Arce, que serviram para sustentar a última acusação do caso Plus Ultra, no qual está a ser investigado por possivelmente ter recebido comissões pela influência exercida no resgate dessa companhia aérea.
No relatório surgem figuras de destaque do Governo da Bolívia entre 2020 e 2025, incluindo o ex-presidente Luis Arce (2020-2025), três ministros de Arce, o então procurador-geral boliviano Ricardo Condori e a ex-embaixadora da Bolívia em Espanha entre 2007 e 2015, Carmen Almendras.
O caso na Bolívia envolve a Sociedad Boliviana de Cemento (Soboce) numa disputa judicial, desde 2010, com a empresa estatal Fábrica Nacional de Cementos (Fancesa) pela posse de ações que permitiriam à primeira empresa expandir as fábricas regionais detidas, o que foi denunciado pela segunda como um caso de alegada concorrência desleal.
Desde 2014, o caso envolveu também o grupo peruano Gloria, atual acionista maioritário da Soboce, que reclama uma indemnização pela reversão dessas ações e mantém litígios contra o Estado boliviano.
O ex-presidente Arce, que se encontra em prisão preventiva desde dezembro de 2025 por um caso de alegada corrupção, negou estar envolvido “em qualquer caso de tráfico de influências” a favor da Soboce.
Recentemente, após a divulgação do relatório da UDEF, o Supremo Tribunal de Justiça da Bolívia (TSJ) confirmou uma sentença de 2025 que obriga a Soboce a pagar à Fancesa uma indemnização de mais de 74,4 milhões de dólares (65,3 milhões de euros).
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