Numa mensagem gravada e enviada aos meios de comunicação, a vice-presidente e porta-voz da cidade autónoma, Fadela Mohatar, informou que a conselheira de Políticas Sociais, Randa Mohamed, enviou hoje uma carta à ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, a solicitar aquela verba, “tal como se vai fazer com Ceuta”.
O Governo de Melilla pede estes fundos “na medida do que se considere proporcional”, esclareceu aquela responsável.
Em duas noites de pressão migratória que Melilla sofreu na semana passada, mais 144 crianças entraram, elevando para 312 o número destas na cidade.
Fadela Mohatar acusou a delegação do Governo espanhol em Melilla de ter negado por duas vezes pedidos urgentes e extraordinários de equipamento, “perante a entrada inesperada de um número tão grande de crianças”.
Segundo a porta-voz da cidade autónoma, Melilla solicitou à Delegação do Governo beliches e colchões para dar resposta a todas as crianças que tinha acolhido “nesta entrada extraordinária”, já que não havia disponibilidade deste material localmente, e teve de ser comprado fora, com os consequentes atrasos.
Mohatar qualificou como “absolutamente deplorável” a atitude da Delegação do Governo e adiantou que os 100 colchões e os 50 beliches adquiridos de que a cidade estava à espera já chegaram, sublinhando que é “absolutamente falso” que haja uma “falta de atenção, falta de utensílios ou falta de alimentação” para as crianças, como denunciaram publicamente Coalición por Melilla (CPM), sindicatos e ONG.
No entanto, a vice-presidente reconheceu que “a situação é especialmente crítica devido à magnitude da circunstância”, que “num espaço de tempo tão curto põe à prova qualquer sistema de proteção”.
A porta-voz defendeu que em Melilla se começou a reagir cedo à crise. “Está-se a trabalhar desde o primeiro momento com todos os recursos disponíveis para garantir a segurança, a atenção e o bem-estar de todos os menores e trabalhadores de La Purísima [centro de menores]”, afirmou.
Segundo aquela responsável, a empresa Tragsatec, que gere o centro de menores de La Purísima, assim como o seu pessoal, estão a realizar “um trabalho árduo” na atenção integral aos menores que chegaram.
O centro reforçou o pessoal com três educadores sociais, seis auxiliares e duas pessoas de limpeza, e contratará mais 15 auxiliares, além de estar a agilizar os trâmites para preencher um posto de psicólogo que ficou vago cinco vezes, garantiu.
Por fim, Fadela Mohatar criticou a CPM por não ter pedido responsabilidades ao Governo central “pela negligência que teve em relação à sua principal responsabilidade para com Ceuta e Melilla”, assim como por não ter referido “a possível responsabilidade de Marrocos nessa pressão tão terrível a que foram submetidas as fronteiras e a soberania” de ambas as cidades.
Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha.
Pelo menos 77 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla ao qual também chegou um número elevado de migrantes.
Leia Também: Ceuta. Melilla questiona eficácia de resposta do governo espanhol



