O líder do Chega, André Ventura, afirmou, esta quinta-feira, que o secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, teve uma reação “infantilizada” às buscas da Polícia Judiciária (PJ) que visaram a sede do partido e várias autarquias e pediu que o socialista dê “os esclarecimentos que têm de ser dados”.
“O único esclarecimento que [José Luís Carneiro] deu é que não tem nada a ver com o Partido Socialista e que isto é uma coisa que apenas se dirige a trabalhadores. Parece-me uma coisa infantilizada, que não reflete a realidade e é um desrespeito pelo país este tipo de discurso”, disse, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.
Ventura disse esperar que a “imprensa e o país” sejam “tão exigentes com o Partido Socialista como com o Chega e outros partidos” e que a “justiça seja célere”.
“É importante também que o secretário-geral do Partido Socialista desse os esclarecimentos que têm de ser dados”, sublinhou. “Era importante que o Partido Socialista não se escondesse e também que não seja protegido”.
“O uso de dinheiro público para fins que não são públicos tem de ser, efetivamente, responsabilizado e escrutinado”, acrescentou, sublinhando a necessidade de a justiça atuar de “forma rápida e independente”.
José Luís Carneiro defendeu, em conferência de imprensa, que as autoridades judiciárias transmitiram que o partido não é visado pelas investigações e afastou qualquer leitura política sobre o momento escolhido para esta operação judicial.
Sublinhe-se que, segundo a Polícia Judiciária (PJ), quatro pessoas foram hoje detidas por suspeitas de crimes económico-financeiros e uma quinta em flagrante por posse ilegal de arma.
Segundo a PJ, a operação decorreu em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra e no inquérito, com 37 arguidos, está em causa a alegada realização por câmaras municipais e juntas de freguesia de “procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público”.
O epicentro da investigação será a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, no centro histórico de Lisboa, anteriormente liderada por Miguel Coelho, um dos visados pela operação Imergente, referiu o canal televisivo.
Os atos sob suspeita terão sido praticados entre 2016 e 2022.
No total, foram executados cerca de 90 mandados de busca domiciliária e não domiciliária, com a PJ a indicar que foram cumpridos 92 e o Ministério Público 89.
Segundo a CNN, Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e também próximo do atual líder do PS José Luís Carneiro na gestão da comunicação do partido, é um dos detidos, assim como a sua mulher, Rute Reimão, que terá celebrado contratos com a Junta de Santa Maria Maior, por ajuste direto, na ordem dos 70 mil euros entre 2020 e 2022.
A mulher de Duarte Moral foi técnica superior da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (responsável operacional pela área cultural), avançou à Lusa fonte do grupo municipal do PS.

“Tudo farei para que a legalidade seja defendida e promovida”
José Luís Carneiro já reagiu às buscas realizadas esta quinta-feira na sede nacional do PS no âmbito da Operação Imergente. O secretário-geral do PS garantiu que o partido não é visado nas diligências das autoridades e que tudo fará para que “todos os factos sejam cabalmente apurados”.
Natacha Nunes Costa | 14:54 – 28/05/2026



