O diretor nacional da Fundação Internacional para os Sistemas Eleitorais (IFES) na Ucrânia, Gio Kobakhidze, afirmou que “não é fácil preparar a paz enquanto se combate uma guerra”, considerando “impressionante” que a Ucrânia esteja a avançar com este processo.
Durante o ‘webinar’ intitulado “Como deve a Ucrânia preparar-se para a paz enquanto luta na guerra?”, organizado pelo centro de estudos britânico Chatham House, Kobakhidze recordou que a lei marcial foi recentemente prolongada até ao final de outubro, o que impede legalmente a realização de eleições no curto prazo.
Mesmo assim, disse existir um consenso alargado sobre a necessidade de avançar desde já com reformas legais e operacionais que garantam eleições livres, justas e seguras no pós-guerra, bem como o alinhamento com os critérios de adesão à União Europeia.
Entre as prioridades identificadas estão alterações nas áreas de financiamento político, campanhas eleitorais e comunicação social, bem como desafios operacionais como a atualização dos registos eleitorais, a participação de deslocados internos, militares e cidadãos no estrangeiro.
A diretora-executiva do Instituto de Informação Estratégica (Strategic Intelligence Institute), Mariia Kucherenko, alertou, por sua vez, para os riscos de segurança associados a qualquer processo eleitoral em tempo de guerra, sublinhando que “não há cidades seguras na Ucrânia” e que aglomerações de pessoas em campanha ou junto a mesas de voto seriam “um alvo prioritário” para ataques russos.
Já Olga Aivazovska, responsável da rede cívica OPORA, defendeu que o calendário eleitoral deverá respeitar a ordem das eleições adiadas, começando pelas legislativas, seguidas das presidenciais e, por fim, das autárquicas.
Segundo a responsável, esta sequência é essencial para a “recuperação democrática” do país.
Aivazovska destacou ainda a necessidade de definir antecipadamente um quadro legal claro e previsível, que permita organizar eleições credíveis e inclusivas, incluindo a criação de secções de voto no estrangeiro e a coordenação com países de acolhimento.
Os participantes salientaram também a importância de reforçar a cibersegurança e prevenir interferências externas, nomeadamente por meio de financiamento político, pois a Ucrânia continuará vulnerável a influências estrangeiras no período pós-guerra.
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