“O que a presidente da Comissão Europeia vem propor é uma série de medidas para as quais ela não tem legitimidade formal, que não estão propostas nos tratados e que ninguém sabe o que são”, afirmou, em declarações feitas aos jornalistas em Estrasburgo, França.
Para Catarina Martins, a líder da Comissão Europeia devia ter referido outros temas, onde “teria feito diferença”, como o combate ao custo de vida, a defesa da paz e o fim do acordo de associação com Israel.
Em vez disso, criticou, vem “falar de um novo artigo 4.º na União Europeia, à semelhança do que tem a NATO” sem explicar o que significa.
No seu discurso sobre o Estado da União, Ursula Von der Leyen afirmou que a Comissão vai propor uma nova estratégia de segurança para a Europa, referindo que a UE tem de ter o seu próprio artugo 4º.
O Artigo 4.º da NATO estabelece que os países membros se devem consultar sempre que, na opinião de um deles, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de um dos aliados estiver ameaçada.
A medida aciona uma reunião de emergência da organização militar para debater a ameaça e serve como alerta político anterior à ativação do artigo 5º. que implica uma declaração de guerra.
“Mas alguém aqui acredita que estas coisas são possíveis assim? Está a dizer, por exemplo, que a União Europeia vai andar a toque de caixa de um qualquer governo regional alemão da extrema-direita?”, questionou Catarina Martins.
A eurodeputada bloquista acusou ainda a presidente da Comissão de tentar centralizar os poderes ao propor que o Canadá passe a ser um Estado-membro associado da UE, o que, na sua opinião, não tem competência para fazer.
“Todos queremos alianças contra o autoritarismo”, mas “não podemos ficar sossegados quando uma autoritária nos diz que nos quer livrar do autoritarismo”, concluiu.
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