“O Irão lançou pelo menos quatro drones de ataque contra navios que transitavam pelo estreito de Ormuz. Um dos drones atingiu substancialmente o convés superior de um cargueiro muito grande e caro”, escreveu o líder norte-americano na sua plataforma Truth Social, concretizando: “Obviamente, esta é uma violação estúpida do nosso acordo de cessar-fogo”.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou na quinta-feira que um cargueiro foi danificado por um projétil de origem desconhecida no estreito.
Segundo o The Wall Street Journal, a Guarda Revolucionária iraniana disparou contra a ponte de comando do navio cargueiro e danificou-a horas depois de ter alertado as embarcações para não navegarem pelo estreito por rotas não autorizadas pelo Irão.
A reabertura imediata do estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos produtos petrolíferos mundiais antes da guerra, está incluída no memorando de entendimento assinado na semana passada por Washington e Teerão, que levou à suspensão das hostilidades e abertura de negociações de paz.
Como resultado do ataque contra o cargueiro, a Organização Marítima Internacional (OMI) suspendeu o seu plano que estava em execução para retirar cerca de 11 mil tripulantes retidos no Golfo Pérsico desde o bloqueio imposto no estreito de Ormuz, como resposta à ofensiva israelo-americana lançada em 28 de fevereiro contra a Republica Islâmica.
O plano permitiu a retirada de 115 navios com cerca de 2.500 tripulantes do Golfo Pérsico desde terça-feira, informou hoje a OMI.
“Embora tenhamos suspendido a evacuação ontem [quinta-feira], algumas embarcações continuam a transitar pela parte sul do estreito de Ormuz”, referiu o secretário-geral da agência da ONU, Arsenio Dominguez, em conferência de imprensa.
“É por isso que é importante reativar o mecanismo para garantir maiores níveis de segurança”, apelou.
O responsável da agência especializada da ONU relatou contactos com países da região e em particular com Omã, Estados Unidos e Irão, no sentido de confirmar “as garantias inicialmente dadas de que os navios não seriam alvejados e que o fluxo comercial iria continuar”, especialmente para a retirada dos tripulantes.
“Assim que receber novas confirmações a este respeito, estaremos prontos para reiniciar o processo de evacuação”, observou Dominguez.
O Irão, por sua vez, insistiu hoje que os navios que transitam pelo estreito de Ormuz devem seguir as rotas estabelecidas pela República Islâmica.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), organismo criado pelo Irão para gerir o tráfego marítimo através do estreito de Ormuz, alertou em comunicado que “a navegação de embarcações fora das rotas designadas não está coberta pela Garantia de Trânsito Seguro”.
Em relação a este incidente, Arsenio Dominguez afirmou na quinta-feira que o navio não transitou pelo estreito de Ormuz em conformidade com o plano de evacuação e acrescentou que não houve vítimas nem danos graves.
Ao abrigo do memorando, Estados Unidos e Irão vão prosseguir negociações com vista a alcançar um acordo de paz definitivo, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.
O diálogo encontra-se porém ameaçado pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.
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