Às portas do pico do consumo de eletricidade no verão – especialmente tendo já passado por uma onda de calor, que fez ventoinhas, ar condicionado e frigoríficos trabalhar mais horas por dia – para muitas famílias, a tarifa indexada de eletricidade tem sido sinónimo do descanso de pagar menos ao final do mês. Mas será mesmo assim?
Segundo uma análise ao mercado de Energia feita pela plataforma ComparaJá, isso já não é “automático”. No caso do mês de “julho os preços do mercado indexado subiram e passaram a ultrapassar o mercado regulado para a maioria dos perfis de consumo”.
Essa inversão não significa que a poupança desapareceu “apenas que mudou de sítio”, refere a análise, assinalando que “a diferença entre a tarifa mais cara e a mais barata do mercado continua a rondar centenas de euros por ano para uma família típica, sem qualquer alteração de consumo”.
“Quem está exposto às oscilações diárias sente-o mais depressa do que quem tem uma tarifa fixa competitiva”, pode ler-se num comunicado enviado às redações.
Segundo a plataforma, “para o consumidor, a leitura é de gestão de risco”, pois a tarifa “indexada premeia quem consegue acompanhar o mercado e tolerar oscilações”, já a fixa “protege quem valoriza contas certas ao fim do mês, sobretudo à porta do pico de consumo do verão”.
Conclui o ComparaJá que “não há tarifa permanentemente vencedora” e que, para os consumidores, “rever a tarifa uma a duas vezes por ano deixou de ser zelo excessivo para passar a ser gestão doméstica”.
Nota ainda a plataforma que a geografia das adesões confirma que “a mudança de fornecedor está cada vez mais distribuída pelo país” e “não é um comportamento localizado”, estando a “tornar-se uma decisão financeira transversal”.
Lisboa concentra 30,92% das adesões de junho, seguida pelo Porto, com 15,98%, e Setúbal, com 11,32%”, mas “já não é um fenómeno limitado às grandes áreas metropolitanas”. Distritos como Aveiro (7,18%) e Braga (6,40%) já têm “alguma expressão relevante”.
Recorde-se que a tarifa indexada acompanha ao dia o preço grossista da eletricidade. Significa isso que quando o preço sobe, quem está indexado sente a subida de imediato, a mesma coisa quando desce, ao contrário de quem tem uma tarifa de preço fixo [pode consultar aqui em detalhe as diferenças].
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