“Dizem-nos: ‘Que eles deixem de atacar as vossas refinarias e vocês deixarão de atacar os navios deles’. Isso é simplesmente ridículo”, afirmou Vladimir Putin durante um evento do ‘think tank’ (grupo de reflexão) Clube de Discussão Valdai.
Questionado novamente sobre a resposta russa a esta ideia, respondeu: “Não”.
A Rússia e a Ucrânia têm multiplicado os ataques de longo alcance, visando cada vez mais, e de forma frequente, infraestruturas civis e provocando um número crescente de vítimas.
Moscovo tem tido como alvo armazéns, postos de abastecimento, centros comerciais, navios que partem dos portos ucranianos no mar Negro e, mais recentemente, centros de dados informáticos e operadores de telecomunicações.
Por seu lado, Kyiv tem visado, nomeadamente, refinarias e depósitos de petróleo, armazéns de gigantes do comércio eletrónico e navios de carga no mar Negro.
Segundo Putin, a Rússia “perdeu cerca de 1% do [Produto Interno Bruto] PIB” devido aos ataques ucranianos às refinarias, que provocaram uma crise de combustível este verão.
No mesmo evento, Putin admitiu ainda a possibilidade de expropriar empresas ocidentais como a Nestlé ou a Auchan, colocadas sob controlo temporário, como resposta a uma eventual nacionalização de ativos russos por parte do Ocidente.
“Estamos a criar as condições para que, caso nacionalizem ou roubem as nossas empresas, possamos responder de forma simétrica. É por isso que se instituiu o controlo temporário das empresas ocidentais”, adiantou o líder russo.
Putin negou que os ativos das empresas colocadas sob controlo temporário tenham sido expropriados.
O Ocidente “apresentou naturalmente isto como um roubo, uma nacionalização. Mas o que acontece na realidade? Na verdade, isto é uma mentira. E uma provocação. Nós não tiramos nem nacionalizamos nada a ninguém”, indicou.
Os países, frisou ainda, “bloquearam as reservas em ouro e divisas do nosso Banco Central e chegam mesmo a destinar as receitas geradas pela utilização dessas reservas à guerra” na Ucrânia.
“Isto é, na minha opinião, inadmissível”, continuou o líder russo, tendo também denunciado a perda de ativos de empresas russas como a Gazprom e a Lukoil no Ocidente.
No entanto, indicou que a Rússia está disposta a devolver o controlo destas empresas aos seus proprietários caso a situação internacional se torne “propícia”.
Nas últimas semanas, a Rússia colocou sob controlo temporário os ativos de várias empresas ocidentais que ainda operavam no mercado russo, incluindo a METRO AG, a Aptar Europe Holding, a Nestlé, a Leroy Merlin e a filial da Auchan.
Após o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, as autoridades russas colocaram sob gestão estatal temporária os ativos de uma série de empresas estrangeiras, como a Carlsberg ou a Danone, que anunciaram a sua retirada da Rússia em protesto contra o conflito.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.
A ofensiva militar russa no território ucraniano mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
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