“Peço que deixemos de lado as ideologias e as confrontações partidárias e nos centremos numa questão que é de pura humanidade”, disse Sánchez, que falava na abertura do Fórum La Toja – Vínculo Atlântico, na Galiza.
O primeiro-ministro defendeu que o acesso à habitação e “a emergência habitacional” são a maior dificuldade hoje em Espanha e sublinhou que as medidas que vão ser votadas no parlamento, divididas por dois decretos do Governo, resultaram de diálogo com vários partidos representados no hemiciclo.
Os dois partidos na coligação de Governo em Espanha (socialistas e Somar) não têm maioria absoluta no parlamento e nenhum dos decretos com medidas para a habitação tem neste momento ratificação garantida, segundo o que revelaram até agora os vários grupos representados no Congresso dos Deputados (câmara baixa).
Um deles – que estabelece em Espanha um regime de contratos de arrendamento indefinidos, com renovações automáticas – parece mesmo já não ter qualquer possibilidade de ser aprovado.
O outro, com medidas extraordinárias e temporárias focadas, sobretudo, nos despejos e controlo das subidas das rendas – continua, para já, a ter possibilidades de ser viabilizado.
Sánchez falava na abertura da edição deste ano do Fórum La Toja – Vínculo Atlântico, em que também estiveram e fizeram intervenções o Rei de Espanha, Felipe VI, e o ex-Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa.
A edição deste ano do encontro deu o prémio anual do Fórum da Toja a Marcelo Rebelo de Sousa. O fórum decorre até sábado sob o lema “Um mundo em desordem”.
Na intervenção que fez, Pedro Sánchez reiterou a defesa do multilateralismo e do respeito pela ordem internacional, embora sublinhando a necessidade de reformas, nomeadamente, das Nações Unidas.
O líder do Governo espanhol voltou também a defender a urgência de regular a Inteligência Artificial e as grandes empresas tecnológicas, submetendo-as a regras acordadas internacionalmente e à supervisão governamental.
Sánchez insistiu em que “a lei da força tenta impor-se à força da lei” atualmente e alertou para o aumento das desigualdades nas últimas décadas e dos mortos em conflitos e guerras nos últimos anos, com consequências como “o drama da imigração irregular”, com a dimensão com que se manifestou em julho em Ceuta, quando entraram mais de 70.000 pessoas na cidade autónoma espanhola de forma irregular.
Depois de referir a guerra da Rússia na Ucrânia, que já dura há mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial, “a devastação em Gaza que só tem um nome, genocídio”, ou o conflito com o Irão, Sánchez destacou que morreram 150 mil pessoas em guerras em 2025, sete vezes mais do que em 2002, ou que houve 117 milhões de pessoas deslocadas forçadamente no ano passado.
“Nenhum muro ou barreira” poderá “conter o desespero das pessoas que querem ter uma vida melhor”, acrescentou.
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