Estes números, calculados por vários institutos independentes e publicados hoje pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) no seu relatório mensal, revelam que a maioria dos parceiros da região do Golfo Pérsico, afetados pelo conflito no Irão, continua a recuperar a produção e as exportações.
No entanto, o nível do mês passado é inferior em 6,6 milhões de barris diários ao registado em fevereiro, antes de os Estados Unidos e Israel terem iniciado os ataques no Irão e de Teerão ter fechado o estreito de Ormuz, uma via marítima pela qual transitava cerca de 20% do petróleo comercializado em todo o mundo.
O relatório reflete o aumento dos fluxos petrolíferos da região do Médio Oriente depois do cessar-fogo acordado entre Washington e Teerão, que permitiu aumentar o trânsito de petróleo e derivados durante o mês passado, num ambiente de esperança de que as partes consigam negociar um acordo de paz duradouro que facilite a normalização plena do mercado.
Essa melhoria das perspetivas provocou uma forte desvalorização do ‘ouro negro’ em junho, segundo admitem os autores do documento sem aludir ao revés que a situação sofreu esta semana, marcada pelo reatar dos confrontos armados depois do Presidente dos EUA, Donald Trump, ter considerado a trégua obsoleta.
Assim sendo, os Emirados Árabes Unidos, que se retiraram da OPEP no passado dia 01 de maio, conseguiram subir as suas extrações para 3,8 milhões de barris diários no mês passado, que representa um aumento de 1,64 milhões de barris diários (75,9%) em comparação com maio.
Por sua vez, o Kuwait aumentou as extrações em 0,88 milhões de barris diários, para 1,45 milhões de barris diários, enquanto o Iraque as subiu para 1,97 milhões de barris diários (+0,44 milhões de barris diários).
O Irão, por sua vez, adicionou 155.000 barris diários à sua produção mensal, que teve uma média de 2,4 milhões de barris diários em junho.
A exceção desta tendência de alta foi a Arábia Saudita que, segundo as estimativas publicadas hoje, ficou em 6,85 milhões de barris diários, que representa menos 0,99 milhões de barris diários do que em maio.
Por outro lado, os dez “petroEstados” aliados da organização, com a Rússia à frente, produziram juntos 14,27 milhões de barris diários em junho — quase o mesmo número que em maio —, de forma que a produção total da aliança OPEP+ (a OPEP e os seus aliados) situou-se em 36,28 milhões de barris diários, volume superior em cerca de 3 milhões de barris diários ao do mês anterior, mas ainda longe dos 42,75 milhões de barris produzidos em fevereiro.
Dado que ainda não se conseguiu a recuperação plena da oferta, os aumentos moderados acordados pelo grupo para abril, maio, junho e julho, que somam 442.000 barris diários, não puderam materializar-se completamente.
A OPEP destaca que os preços do petróleo aumentaram no primeiro semestre de 2026 “impulsionados por acontecimentos geopolíticos, a solidez dos fundamentos do mercado físico e a incerteza em torno do fornecimento regional de petróleo e os fluxos comerciais”, fazendo com que a sua média semestral tenha sido superior em mais de 33% em relação à média do mesmo período do ano passado.
“Os mercados futuros de petróleo experimentaram uma maior volatilidade à medida que os participantes do mercado avaliavam continuamente os acontecimentos geopolíticos e o seu impacto no fornecimento global de petróleo. Essa volatilidade foi agravada pelos especuladores e pelos gestores de fundos de investimento, que ajustaram frequentemente as suas posições especulativas perante as expectativas em mudança”, sublinha o documento.
Depois de disparar em março e abril, as cotações do petróleo caíram em maio e junho “devido às expectativas de maiores fluxos regionais de petróleo e de um fornecimento mais elevado a curto prazo, que reduziu os prémios de risco geopolítico”, lembra a organização no seu relatório.
O barril de petróleo Brent, a referência para a Europa, disparou hoje mais de 4%, tendo chegado a 79 dólares, no mercado de futuros de Londres, devido às renovadas tensões no estreito de Ormuz entre o Irão e os Estados Unidos.

OPEP volta rever em baixa estimativa da procura de petróleo em 2026
A OPEP reviu hoje em baixa, pelo terceiro mês consecutivo, a estimativa sobre o crescimento anual da procura mundial de petróleo em 2026, menos 19% do que em junho.
Lusa | 14:08 – 13/07/2026



