O Bloco de Esquerda (BE) anunciou, esta segunda-feira, que o julgamento da influencer de extrema-direita Cristina Seguí, que esteve ligada ao partido espanhol Vox e acusou a bloquista Mariana Mortágua e um antigo ministro da Defesa espanhol, José Bono, de terem recebido dinheiro do Banco Espírito Santo (BES), será retomado “agora”, após ter sido adiado, em setembro do ano passado.
“A ‘influencer’ de extrema-direita Cristina Seguí vai ser julgada por ter mentido sobre três dirigentes do Bloco. Cristina Seguí é uma militante de extrema-direita, fundadora do Vox, conhecida por espalhar desinformação e propaganda contra a Esquerda e os movimentos feministas. A comentadora de extrema-direita inventou que Mariana Mortágua teria recebido dinheiro do BES para proteger Ricardo Salgado”, recordou o BE, na rede social X (Twitter).
O partido assinalou que a comentadora “chegou ao ponto de inventar ‘250 mil euros’ entregues à coordenadora do BE no El Corte Inglés”, além de ter difundido “mentiras sobre a vida pessoal de Marisa Matias e inventou uma ligação falsa de Pedro Filipe Soares ao governo da Venezuela”.
“As mentiras sobre os dirigentes do Bloco foram difundidas a partir das redes sociais de Cristina Seguí e partilhadas por André Ventura. O julgamento começa agora e Cristina Seguí está acusada pelo Ministério Público português de ofensas e difamação”, apontou.
O coletivo encabeçado por José Manuel Pureza frisou também que a sua luta “é pela igualdade, pelos direitos humanos e pela verdade”, sendo “com estes valores que [enfrentam] a extrema-direita e as suas mentiras”.
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— Bloco de Esquerda (@BlocoDeEsquerda) September 21, 2026
Recorde-se que o MP arquivou o inquérito instaurado ao presidente do Chega, André Ventura, por este ter acusado a então deputada do BE de receber dinheiro do BES, ao republicar tweets de Cristina Seguí, publicados no final de 2021. De facto, a republicação levou Mariana Mortágua a apresentar queixa por difamação, que deu origem à constituição de André Ventura como arguido e ao levantamento da sua imunidade parlamentar.
No despacho, datado de 3 de março de 2023, o MP argumentou que Ventura tinha motivos para considerar credível a publicação de Cristina Seguí, que a revista Visão tinha descrito numa das suas peças como uma antiga hospedeira de Valência “amplificadora de teses conspirativas e ‘fake news’”.
“No concreto contexto em que foi efetuada a publicação, não se vislumbra que o arguido – que, além do mais e pelos motivos que referiu, tinha motivos para atribuir credibilidade à publicação originária – estivesse a imputar factos ou a levantar suspeita sobre Mariana Mortágua, mas sim a pedir-lhe o seu comentário ou reação sobre o assunto”, lia-se no despacho a que a agência Lusa teve acesso.
Para os magistrados, estava “em causa o mesmo tipo de atuação que os deputados da Assembleia da República assumem nos debates que têm lugar no Parlamento, tanto uns relativamente aos outros, como relativamente aos membros do Governo, a propósito de matérias publicadas na comunicação social”.
Por outro lado, o despacho da 5.ª Secção de Lisboa do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) considerou que “importa desde logo ter em conta a circunstância – notoriamente conhecida – de os intervenientes nestes autos pretenderem a polos opostos do espetro político nacional”.
Alegava-se ainda no despacho que, “em sede de julgamento, não seria aplicada uma pena ao arguido” André Ventura, pelo que se determinava o arquivamento do inquérito.

“É preciso muito desespero para inventar uma mentira tão grotesca”
Mariana Mortágua confirmou, esta segunda-feira, na SIC Notícias, que apresentou queixa contra o líder do Chega por difamação.
Notícias ao Minuto | 23:17 – 15/11/2021



