O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, criticou a dimensão da operação Imergente, que contou com 400 inspetores da Polícia Judiciária (PJ), em comparação com o efetivo policial disponível para combater o tráfico de droga.
No programa da CNN Portugal “Princípio da Incerteza”, o autarca social-democrata aproveitou a análise à megaoperação montada para investigar os contratos das juntas de freguesia de Lisboa para chamar a atenção para aquilo que diz ser uma situação diária e com um longo passado na Invicta.
“Eu vivo numa cidade, no Porto, onde há, a céu aberto, todos os dias tráfico de droga à porta de escolas, no meio da rua, em que ninguém é detido e não há investigação nenhuma. Aquilo que me dizem é que não há polícias disponíveis“, começou por lamentar, acrescentando que esta é uma situação “extraordinariamente difícil e complexa”.
Desta forma, deixou a sugestão: “Da próxima vez, se calhar, deixem 300 polícias para investigar os contratos das juntas de freguesia de Lisboa, e mandem 100 para o Porto, para irem atrás dos traficantes de droga”.
Admitindo, no entanto, que isso poderia não dar a mesma “popularidade”, apesar de, “para a sociedade portuguesa é pelo menos tão importante combater quem anda a traficar droga e a destruir a vida de tantas crianças, jovens e adultos” como investigar casos como os das autarquias de Lisboa.
Recorde-se que quatro pessoas foram detidas por suspeitas de crimes económico-financeiros e uma quinta em flagrante por posse ilegal de arma. Foram ainda constituídos 37 arguidos, entre os quais dois vereadores do PS.
Filipa Laborinho, ex-vereadora de Oeiras, foi a pessoa detida em flagrante delito por posse ilegal de arma, mas acabou libertada ao final da tarde de quinta-feira.
Na base das buscas da operação estão “procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público, segundo um comunicado da PJ divulgado na quinta-feira.
Em causa está a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.
Em Lisboa, a investigação teve como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, anteriormente liderada pelo socialista Miguel Coelho, que entretanto suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Municipal, dizendo que se defenderá “com a consciência tranquila”.
Ainda na quinta-feira, a CNN Portugal avançou que Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e também próximo do atual líder do PS, José Luís Carneiro, na gestão da comunicação do partido, foi um dos detidos, assim como a sua mulher, Rute Reimão, que terá celebrado contratos com a Junta de Santa Maria Maior, por ajuste direto, na ordem dos 70 mil euros entre 2020 e 2022.
A mulher de Duarte Moral foi técnica superior da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (responsável operacional pela área cultural), avançou à Lusa fonte do grupo municipal do PS.
Os atos sob suspeita terão sido praticados entre 2016 e 2022.
A sede do PS em Lisboa foi também alvo de diligências da PJ, tendo o partido referido que estavam relacionadas “com atividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores”.

Operação Imergente: Dois dos arguidos são vereadores do PS em Lisboa
Dois vereadores do PS em Lisboa foram constituídos arguidos na Operação Imergente: Sérgio Cintra e Carla Madeira. Ao todo, a operação fez 37 arguidos, suspeitos de crimes económico-financeiros levados a cabo entre 2016 e 2022.
Carolina Pereira Soares | 16:10 – 30/05/2026



