“Condenamos estas mortes de civis palestinianos, como temos feito consistentemente, e continuamos a expressar a nossa profunda preocupação com a violência persistente perpetrada pelos colonos, que parecem agir com total impunidade ao atacar os civis palestinianos, as suas propriedades e o seu modo de vida”, disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral, numa conferência de imprensa.
“Cabe às autoridades israelitas fazer o que for necessário para cumprir as suas obrigações e responsabilizar os autores desta violência”, adiantou Dujarric descrevendo os factos como “chocantes”.
Segundo o Ministério da Saúde palestiniano, os adolescentes, de 16 e 19 anos, foram mortos a tiro durante um ataque de colonos acompanhados pelas forças israelitas na localidade de Al Mughayir, perto de Ramallah.
O Crescente Vermelho Palestiniano explicou que uma das vítimas foi baleada no pescoço “durante um ataque de colonos e forças de ocupação (israelitas)” e foi levado para o hospital enquanto recebia manobras de reanimação. O outro jovem foi baleado nas costas.
O chefe do conselho da localidade, Min Abu Aliya, indicou à agência de notícias oficial palestiniana (Wafa) que os colonos, acompanhados pelas forças israelitas, participaram no ataque.
Segundo Aliya, invadiram o centro da aldeia, atacaram duas casas e roubaram ovelhas.
De acordo com a mesma fonte, atiradores de elite do exército israelita estavam posicionados em edifícios no centro da aldeia e que, quando os residentes tentaram confrontar os colonos que lhes roubavam as ovelhas, os soldados abriram fogo contra os palestinianos, ferindo vários jovens.
O exército israelita indicou à agência Efe que está a investigar o incidente.
O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estima que 79 palestinianos foram mortos pelas forças israelitas e colonos na Cisjordânia este ano, enquanto quase 1.850 foram feridos.
A tendência tem vindo a aumentar desde os ataques de 07 de outubro de 2023 contra Israel, liderados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestiniano, a que Israel respondeu invadindo a Faixa de Gaza.
Os colonos são rotineiramente protegidos pelas tropas israelitas durante os ataques, e as suas ações ficam impunes na grande maioria dos casos.
De acordo com um estudo da organização não-governamental (ONG) israelita Yesh Din, 93,6% das investigações contra colonos por violência contra palestinianos na Cisjordânia terminaram sem acusações.
Apenas 3% das investigações policiais resultaram em condenações totais ou parciais desde 2005, segundo a mesma organização.
Também na quarta-feira, forças israelitas invadiram a comunidade de Khirbet al-Taban, no sul da Cisjordânia, e destruíram todas as suas 12 casas, que consideram ilegais, deixando 70 pessoas, incluindo 28 crianças, informou a organização de defesa dos direitos humanos B’Tselem.
O COGAT, o organismo militar israelita responsável pela gestão dos assuntos civis na Cisjordânia, afirmou à agência de notícias EFE que as demolições visaram “estruturas ilegais erguidas dentro de um campo de tiro” do exército.
A aldeia palestiniana encontra-se totalmente dentro da Área C, que está sujeita a controlo civil e militar de Israel.
Como antecedente deste caso, segundo a imprensa israelita, está uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça de 2022 sobre petições apresentadas por habitantes da região, determinando que as famílias palestinianas não residiam no local antes de ser declarado zona de tiro, negando a sua permanência.
A organização referiu no comunicado que Khirbet al-Taban é a 66.ª comunidade palestiniana completamente deslocada desde os ataques do grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em outubro de 2023.
Leia Também: Dois jovens palestinianos mortos em ataque de colonos israelitas



