Fonte da direção do PS secundarizou â agência Lusa a questão do sentido de voto em concreto por parte da bancada socialista, abstenção ou rejeição, alegando que “muito cedo o partido esvaziou” qualquer tipo de pressão do ponto de vista político ao anunciar que não viabilizaria a moção de censura do Chega.
Na quarta-feira passada, no mesmo dia em que o Chega formalizou a apresentação da moção de censura ao Governo, o secretário-geral do PS, José Carneiro, assegurou que não seria pelo seu partido que Portugal entraria numa crise política.
“Nós contribuiremos para a estabilidade política do país e não será pelo PS que haverá crise política em Portugal”, afirmou à agência Lusa o secretário-geral do PS, em Maputo.
Já hoje, em Valença, distrito de Viana do Castelo, José Luís Carneiro escusou-se a aprofundar a questão da moção de censura do Chega, dizendo que hoje à noite vai ouvir os órgãos do partido.
“Amanhã, [terça-feira] no coração da democracia, na Assembleia da República, diremos o que tivermos a dizer”, afirmou.
Perante a insistência dos jornalistas sobre se já tomou uma decisão sobre o sentido de voto a adotar pelo PS, respondeu: “O PS é um partido democrático, não é um partido autocrático”.
A Comissão Permanente aprovou hoje, por unanimidade, a convocação para terça-feira de um plenário para debater e votar a moção de censura do Chega ao Governo, já com chumbo garantido.
A reunião da Comissão Permanente – órgão que funciona fora do período de funcionamento efetivo da Assembleia da República – durou três minutos e serviu apenas para votar substituições de deputados e a deliberação sobre a convocação do plenário da Assembleia da República para terça-feira.
O Chega entregou na quarta-feira no parlamento uma moção de censura ao Governo intitulada “Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições”, relacionada com as polémicas que envolvem o ministro Luís Neves.
Na quinta-feira, a conferência de líderes reuniu de forma extraordinária e decidiu, por consenso, que a moção seria debatida na terça-feira, dia 08, por se entender que a discussão deveria realizar-se “o mais rápido possível”.
Para ser aprovada – o que implicaria a demissão do Governo -, a moção de censura teria de ter o voto favorável de 116 deputados, hipótese já afastada, uma vez que o PS anunciou que não a viabilizará.
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