Esta posição foi transmitida por Mariana Leitão em declarações aos jornalistas, no parlamento, pouco depois da conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
A líder liberal classificou como “surreal” o teor dessa conferência de imprensa e disse ter chegado à conclusão que o ministro não tem condições políticas para se manter em funções no Governo.
“Não tem sequer adequação para o cargo que ocupa, não tem autoridade, não tem confiança e não tem responsabilidade necessária para ocupar o cargo que ocupa. A situação é grave e, por isso mesmo, a IL já na terça-feira tinha solicitado uma audiência ao Presidente da República. Uma audiência que, obviamente, se torna cada vez mais urgente, porque está em causa o bom nome e o bom funcionamento das instituições”, sustentou.
Na conferência de imprensa, Luís Neves falou sobre a contratação de um empreiteiro, da Construbarcelos, que trabalhou para a PJ, quando era diretor nacional, para fazer obras numa sua propriedade familiar em Odemira, mas também sobre o aparecimento de um atrelado com bidões de químicos utilizados no fabrico de droga nas instalações desse mesmo empreiteiro e, ainda, sobre as falhas na entrega das declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional.
Porém, na perspetiva de Mariana Leitão, assiste-se a “um Governo e o partido que o suporta, o PSD, completamente alheados da realidade”.
“Por isso, mais do que nunca, pretendemos falar sobre esta matéria com o senhor Presidente da República”, acentuou.
Mariana Leitão defendeu que os esclarecimentos do ministro “já poderiam ter sido dados há bastante tempo”.
“Tivemos três semanas do país, das suas instituições a serem arrastadas para a lama – e tudo isso por ausência de esclarecimentos. Agora vieram os esclarecimentos do ministro e surgem várias dúvidas”, sustentou a presidente da IL.
Levantam-se dúvidas, de acordo com Mariana Leitão, sobre a razão de uma empresa privada ficar à sua guarda com um atrelado com matérias perigosos, sem qualquer compensação.
“Não há qualquer documentação que suporte essa transferência, não sabemos absolutamente mais nada sobre isso, a não ser que supostamente se tinha feito uma boa gestão para poupar dinheiro. Mas estamos a falar de materiais perigosos, estamos a falar de uma decisão do tribunal. Como é possível isto ficar no meio da rua à guarda de uma empresa privada e que não tem quaisquer condições especiais para o tratamento destas matérias perigosas”, apontou Mariana Leitão.
Mariana Leitão interrogou-se também como um ex-diretor nacional da PJ como Luís Neves “pode alegar desconhecimento da lei”.
“Nem um cidadão comum o pode fazer para se livrar de um qualquer incumprimento e o senhor ministro da Administração Interna, anterior diretor nacional da PJ, vem dizer isto como se fosse uma coisa perfeitamente normal e banal”, assinalou ainda.
E depois, segundo a presidente da IL, verificou-se “o insólito”.
“O insólito que é quase cómico: O seu tanque foi ladeado por terra e apareceu uma piscina. Portanto, tudo isto mostra bem a forma mesmo muito pouco responsável, pouco digna até, com que este assunto tem sido tratado”, acrescentou.
[Notícia atualizada às 20h41]
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