“É uma grande oportunidade, com uma nova liderança na ONU, para promover a mudança”, disse o diplomata israelita à imprensa em Nova Iorque, a propósito da escolha do sucessor do atual secretário-geral, António Guterres, que Israel considera ‘persona non grata’ e proibiu de entrar no país.
Segundo Danny Danon, “o antissemitismo aumentou 137% desde o 07 de Outubro nos sete países com as maiores comunidades judaicas”, aludindo à data dos ataques do grupo islamita palestiniano Hamas em 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
“É tempo de agir, porque as palavras, declarações e afirmações não são suficientes para combater o crescente antissemitismo nas ruas, nas sinagogas, nas universidades e até aqui nas Nações Unidas”, sustentou.
O embaixador israelita referiu-se também à proposta de um grupo de trabalho para o antissemitismo e espera que o novo secretário-geral “adote as recomendações” que lhe forem apresentadas.
A ONU está em pleno processo de eleição do sucessor de António Guterres, que vai deixar o cargo no final de dezembro deste ano, depois de dois mandatos consecutivos de cinco anos.
Anteriormente, Danon criticou o antigo primeiro-ministro português, acusando-o de promover o antissemitismo e de ter uma obsessão por Israel nas suas declarações, após a publicação de relatórios de peritos da ONU sobre genocídio na Faixa de Gaza e aumento da violência contra a população palestiniana na Cisjordânia ocupada.
O embaixador israelita pediu em junho uma investigação sobre o que classificou como antissemitismo dentro das próprias Nações Unidas, a propósito de um relatório sobre crianças em conflitos armados.
Danny Danon criticou na altura uma representante especial do secretário-geral, Vanessa Frazier, pouco antes da apresentação do relatório que ligava as ações de Israel na Palestina ao aumento da violência contra crianças em conflitos.
No ano passado, a Aliança das Civilizações das Nações Unidas e o escritório do conselheiro especial para a Prevenção do Genocídio apresentaram um plano de ação para combater o antissemitismo.
Antes de dirigir as suas recomendações ao próximo secretário-geral da ONU, Danny Danon tinha lamentado hoje que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tenha de fazer uma viagem relâmpago de 24 horas para discursar na sessão anual da organização, este mês em Nova Iorque, porque “não há outra opção”.
O embaixador israelita referia-se a declarações do presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, que classificou Netanyahu como “um criminoso de guerra” que deveria ser detido na sua passagem pela cidade norte-americana.
“Tornou-se muito comum fazer política culpando Israel”, comentou Danon, acrescentando que “é importante que o primeiro-ministro compareça” na sessão de alto nível da Assembleia-Geral da ONU, a partir de 22 de setembro, na sede da organização.
Embora a cidade de Nova Iorque não tenha autoridade legal para executar um mandado de detenção emitido em 2024 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Netanyahu, Mamdani incentivou as autoridades federais norte-americanas a fazê-lo.
Os Estados Unidos e Israel não são membros do TPI e a atual administração norte-americana, liderada por Donald Trump, impôs uma série de sanções a altos funcionários do tribunal.
Netanyahu tem chegada prevista a Nova Iorque no final do dia 23 de setembro, discursará na Assembleia-Geral na tarde de 24 de setembro e regressará a Israel nessa mesma noite, segundo o embaixador israelita na ONU.
Danon observou também que a reunião dos líderes dos Estados-membros da ONU está a decorrer durante os feriados judaicos e em plena pré-campanha para as legislativas em Israel, marcadas para 27 de outubro, nas quais o atual chefe de Governo joga a continuidade do atual executivo de coligação com a extrema-direita e o seu próprio futuro político.
Na sessão de alto nível de 2025, grande parte das delegações abandonou a sala quando Netanyahu começou a discursar e, neste ano, o diplomata israelita espera que “haja algo parecido, com outro espetáculo”.
O TPI emitiu em novembro de 2024 mandados de captura contra Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes de guerra e contra a humanidade na guerra na Faixa de Gaza.
Também o antigo comandante militar do Hamas Mohammed Deif foi visado pelo tribunal da ONU, sediado em Haia, antes da confirmação de que tinha sido eliminado por Israel.
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