Durante o debate sobre a moção de censura ao Governo PSD/CDS-PP, na Assembleia da República, a presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, defendeu que o seu partido posiciona-se contra o texto “porque se recusa a atirar o país para uma crise política cujas vítimas serão apenas as famílias e as empresas”.
“Uma moção de censura não serve para demitir um ministro, serve para demitir um Governo. E se a resposta for a queda do Governo, a fatura vai ser sempre o país a pagar. E o país não merece isso e eu também não aceito isso”, defendeu, criticando a “tática política sem vergonha do Chega”.
Contudo, a líder liberal responsabilizou o ministro da Administração Interna, considerando que “o caso é demasiado grave” e que o primeiro-ministro “está a amarrar o seu destino ao destino de Luís Neves”.
Mariana Leitão considerou ainda que “o Luís trabalha muito pouco” – numa alusão ao slogan de campanha de Luís Montenegro – e apelou para que o chefe de executivo demita o governante e se concentre “em governar”.
Na resposta, o primeiro-ministro acusou Mariana Leitão de estar “a fazer do negativismo e do bota-abaixismo o seu modo de vida”.
“Eu não percebo nada de estratégia política, como sabem, não percebo mesmo nada, mas era capaz de apostar que o tecido eleitoral que colocou os nove deputados da Iniciativa Liberal aqui nesta Assembleia não se revê nesse negativismo, não se revê nesse pessimismo sobre Portugal”, defendeu.
O porta-voz do Livre Jorge Pinto, optou por fazer um apelo direto a Luís Neves: “Questione a partir de que momento a sua permanência no Governo faz mais mal do que bem, às causas que pautaram a sua carreira na Polícia Judiciária, à defesa das instituições, do estado de Direito e da República Portuguesa”.
Jorge Pinto fez questão de realçar que o seu partido será o único à esquerda a votar contra a moção apresentada pelo Chega, defendendo que os deputados o farão “em consciência”.
“Não alinhamos nem alinharemos nunca com os que querem destruir o estado de Direito”, rejeitou, criticando o uso de “artimanhas” que visam “enfraquecer instituições como a Polícia Judiciária e a democracia”.
Apesar de considerar que “há muito para censurar” – em áreas como a Educação, Saúde ou Infraestruturas – o deputado do Livre realçou que “nada disto está nas oito páginas da moção de censura do Chega”.
“Para o Chega, o fútil está sempre em lugar do útil. Da parte da bancada de André Ventura nada virá que possa ajudar a vida dos portugueses”, acusou.
Pelo BE, a deputada única Andreia Galvão – que se vai abster – criticou o Chega por não ter incluído no texto da moção de censura preocupações como o aumento do custo de vida. Ao primeiro-ministro, pediu que demita Luís Neves.
“O padrão deste Governo é a Spinumviva [empresa familiar do primeiro-ministro] e não há nenhum critério que se aplique aos seus ministros que não se aplique a si”, criticou.
O deputado único do JPP, Filipe Sousa, defendeu que o melhor instrumento para esclarecer as polémicas à volta do ministro Luís Neves será a comissão parlamentar de inquérito.
“Não queremos julgamentos na praça pública, censurar sem esclarecer pode ser precipitação, mas impedir esclarecimento pode aumentar a suspeita”, disse o deputado que irá abster-se na votação da moção de censura do Chega ao Governo.
Já a deputada única do PAN, Inês Sousa Real, justificou o voto contra não por achar que o Governo está acima de crítica, mas por entender que a moção “não pode ser transformada num espetáculo público de quem não está preocupado com os problemas dos portugueses”.
“Não se atira gasolina para apagar um incêndio. O país não precisa nem de xerifes nem de justiceiros”, disse.
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