O líder parlamentar do PS defendeu hoje que a moção de censura do Chega ao Governo funciona, na prática, como uma moção de confiança nos socialistas, já que será este partido que evitará, pela abstenção, uma nova crise política.
© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images
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No debate da moção de censura do Chega ao Governo, centrada na manutenção do ministro da Administração Interna, Luís Neves, no executivo, Eurico Brilhante Dias estranhou que o partido de André Ventura diga no texto que não pretende uma crise política ao apresentar um instrumento que, a ser aprovado, implicaria a demissão do Governo.
“É uma moção que quer censurar, mas com meiguice para não criar uma crise política. Conseguiu transformar esta moção de censura numa moção de confiança no PS e no secretário-geral do PS, porque o resultado político para o país não depende de si, depende do PS”, justificou.
O líder parlamentar do PS, partido que já anunciou a abstenção nesta moção (o que inviabiliza a necessária maioria absoluta de 116 deputados para ser aprovada), considerou que “fica claro para todos que o PS é oposição a este Governo, mas nunca será oposição ao país”.
“O que seria deste país se a moção de censura paralisasse hoje a possibilidade que o Governo deve executar e deve cumprir de apoio às famílias e empresas que foram vítimas das tempestades em fevereiro? O que fazer às instituições que precisam de reforço orçamental para fechar as obras inacabadas do PRR?”, questionou.
Brilhante Dias considerou que o líder do Chega “não pode ser levado a sério” e “foge dos debates” quando se discutem temas como os aumentos dos combustíveis ou do custo de vida.
“O senhor odeia a estabilidade, porque ela põe a nu a fraude política da proposta política do Chega, porque expõe a inconsistência”, acusou, considerando que, se ainda existiam dúvidas, a moção de censura de hoje prova que “a única alternativa a este Governo é o PS”.
A moção de censura do Chega é a primeira ao XXV Governo Constitucional, a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro e a 37.ª em democracia.
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