Estas posições foram assumidas por José Luís Carneiro na Assembleia da República, na parte final do debate da moção de censura ao Governo PSD/CDS-PP apresentada pelo Chega, contra a manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna, e que tem chumbo garantido, com a abstenção PS.
Numa curta intervenção, antes da fase de encerramento do debate, o secretário-geral do PS declarou: “Haja consciência sobre aquilo que nos trouxe até aqui e exijo ao primeiro-ministro que, tendo essa consciência, tome as decisões que se impõem e que podem evitar que esta crise alastre a outras instituições tão relevantes para a administração da justiça”.
“A nossa abstenção impede a crise política desejada pelo Chega e exige ao Governo respostas para os problemas dos portugueses. A estabilidade política não é um fim em si mesma, ela é a necessidade para responder às preocupações das condições de vida dos portugueses que lá em casa esperam pelas propostas e pelos compromissos a que o Governo falha todos os dias”, acrescentou o secretário-geral do PS.
Dirigindo-se a Luís Montenegro, José Luís Carneiro perguntou-lhe: “Senhor primeiro-ministro, o senhor vai continuar refém do Chega e desta vontade de sobreviver, ou vai responder às prioridades de política que respondem à vida das pessoas: habitação, custo de vida, economia, salários?”.
Segundo o secretário-geral do PS, com esta moção de censura, “o Chega veio ajudar o Governo a distrair as atenções da opinião pública, evitando com isso o escrutínio devido do Governo da AD, que está a falhar aos compromissos que assumiu com os portugueses”, num momento que qualificou como “dramático para os portugueses” devido ao aumento das taxas de juro dos empréstimos à habitação, dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares.
“Hoje os portugueses, lembro, estão a pagar mais 9,5 cêntimos por cada litro de gás óleo e mais 6 cêntimos por cada litro de gasolina por decisões tomadas no Governo quando chegou ao governo em abril de 2024”, referiu.
José Luís Carneiro afirmou que a abstenção do PS “impede a crise política desejada pelo Chega e exige ao Governo respostas para os problemas dos portugueses”.
O secretário-geral do PS desafiou o Governo a aproveitar o encerramento deste debate para anunciar o que tenciona fazer na gestão da saúde, da habitação e educação, setores em que considerou haver “falhas graves”.
A propósito das reduções no IRS, apontou: “Quero lembrar que a redução do IRS nos últimos três anos, 71% dessa redução, 1.488 milhões de euros, se deve à decisão do PS para o Orçamento de 2024; apenas 29% se deve às decisões tomadas por este Governo”.



