Segundo a página do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública na agência Bloomberg, a procura atingiu 2.215 milhões de euros, 2,22 vezes o montante colocado, e o preço médio foi de 96,958%.
Para hoje, o IGCP tinha anunciado a realização de um leilão de Bilhetes de Tesouro (BT) a 12 meses, com um montante indicativo de entre 1.000 e 1.250 milhões de euros.
O anterior leilão de BT foi realizado em 15 de julho, quando o IGCP colocou 1.005 milhões de euros a 12 meses, à taxa de juro média de 2,682%. A procura atingiu 2.440 milhões de euros, 2,43 vezes o montante colocado, e o preço médio foi de 97,36%.
Comentando os leilões de hoje, o diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, afirma que a subida da taxa de juro da colocação “reflete essencialmente o movimento de aumento das taxas de juro de curto prazo na zona euro observado nas últimas semanas, num contexto de alteração das expectativas relativamente à política monetária do BCE (Banco Central Europeu)”.
“Do lado da procura, o leilão apresentou um ‘bid-to-cover’ de 2,22 vezes, o que representa um nível de procura confortável”, disse, acrescentando que “apesar de não evidenciar uma pressão particularmente forte por parte dos investidores, o resultado demonstra que continua a existir uma procura sólida por dívida pública portuguesa de curto prazo, mesmo num contexto de ‘yields’ mais elevadas e de maior volatilidade nos mercados obrigacionistas”.
Filipe Silva considera ainda que “a subida da taxa de colocação deve, assim, ser interpretada sobretudo como consequência da evolução das taxas de mercado e não como reflexo de uma deterioração da perceção de risco de Portugal”.
Na reunião de 10 de setembro, o BCE voltou a subir as três taxas diretoras em 25 pontos base, justificando a decisão com a persistência das pressões inflacionistas, nomeadamente devido ao impacto da subida dos preços da energia associada ao conflito no Médio Oriente, recorda Filipe Silva que adianta que o BCE também reviu em alta as projeções de inflação para 2027 e 2028, levando os investidores a reavaliar a trajetória futura das taxas de juro.
“O mercado começou, inclusivamente, a incorporar a possibilidade de novas subidas das taxas diretoras caso as pressões inflacionistas se mantenham”, sublinhou.
[Notícia atualizada às 11h54]
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