Depois de o seu gabinete ter sido vandalizado, o presidente do Chega, André Ventura, revelou que foram levados documentos relacionados com a comissão parlamentar de inquérito do ministro da Administração Interna, Luís Neves, assim como documentos relacionados com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
“Alguém lá se introduziu [no gabinete], vandalizando o próprio gabinete e levando também algumas coisas que estavam no gabinete”, disse, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, esta terça-feira.
André Ventura deu ainda conta de que a Polícia Judiciária (PJ) se encontra no local, notando que espera que seja descoberto “rapidamente” quem entrou no gabinete, “com que intenções e qual a finalidade que tinha”.
“Para além de terem desaparecido uns pertences pessoais, despareceram dois tipos de documentos e duas pens com informação relacionada com assuntos diferentes e espero que sejam recuperados brevemente”, afirmou.
Questionado sobre que tipo de informação continham os documentos, o presidente do Chega adiantou que “um dos lotes dos documentos que desapareceram estavam numa das pastas que estão logo em cima da mesa e que se referiam à comissão parlamentar de inquérito ao dr. Luís Neves”.
“Esses documentos, juntamente com essa pen desapareceram na manhã de hoje e espero que possa ser recuperados”, salientou.
André Ventura referiu ainda que os outros documentos que desapareceram “tinham que ver com informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro e já tinha mais de um ano“.
“Até agora, o que detetei como objetivamente desaparecido foram coisas relacionadas com estes dois assuntos e é incontornável. Uns desses documentos estavam exatamente logo na primeira mesa que eu tenho de passar sempre que entro e saio do gabinete”, explicou.
Acrescentou ainda que desapareceu um outro “objeto de natureza pessoal”, mas que “é o menos importante”.
O líder do Chega notou ainda que as portas “da sala do grupo parlamentar do partido, quer a sala do Chega ficam abertas sempre, em permanência”, referindo que “há rondas de natureza policial que fazem essa verificação”.
“As portas ficam por hábito abertas. Por outro lado, de facto, é aqui no Parlamento que nós mais temos de sentir que estamos em segurança e se documentos de natureza confidencial e política não podem estar no Parlamento, onde é que podem estar?”, questionou.
André Ventura salientou ainda que quem o fez “teve algum tempo”. “Não sei se teve de sair a correr, se ouviu algum barulho, mas fez e teve algum tempo. Não sei se o intuito era vandalizar, se era ameaçar, se era roubar, pode ter sido qualquer um deles. Em todo o caso, seja qual for, é triste que no coração da Democracia, na casa da Democracia, qualquer partido seja ameaçado, intimidado, mesmo que seja só vandalizado”, disse.
“Não é aceitável para ninguém, nem para funcionários, nem para deputados, nem para líderes de partidos, nem para jornalistas. Temos de perceber o que pode ter acontecido e qual a mensagem que querem passar, se era roubar alguma coisa, se era roubar informação sensível ou se era só ameaçar e vandalizar. Em todo o caso, é triste que aconteça”, apontou.
O deputado fez também uma relação direta entre esta situação e o facto de na sexta-feira ter dito que tinha na sua posse “documentos relevantes” sobre o atual ministro da Administração Interna.
“E hoje aconteceu isto, não posso deixar de fazer uma associação entre as duas coisas. Agora a investigação tem de fazer o resto e tem de se chegar a alguma conclusão“, afirmou.
De recordar que, na manhã desta terça-feira, André Ventura divulgou um vídeo nas redes sociais, mostrando o chão do seu gabinete da Assembleia da República repleto de papéis. A PJ foi chamada ao local, estando a “desenvolver diligências através da Unidade de Contraterrorismo”, como explicou ao Notícias ao Minuto.
[Notícia atualizada às 12h27]

Gabinete de André Ventura vandalizado na Assembleia. PJ está no local
O presidente do Chega, André Ventura, divulgou um vídeo nas redes sociais, mostrando o chão do seu gabinete da Assembleia da República repleto de papéis. A PJ foi chamada ao local, estando a “desenvolver diligências através da Unidade de Contraterrorismo”, como explicou ao Notícias ao Minuto.
Ana Teresa Banha | 10:49 – 28/07/2026



