Uma sobrevivente do 7 de Outubro revelou como têm sido os últimos três anos, sublinhando estar grata por ter a oportunidade de viver, ainda que se misture com o “desejo de desaparecer”
Maayan Dee, de 26 anos, foi uma das 3.500 pessoas que estava no festival de música Nova quando o Hamas atacou o evento onde morreram 378 pessoas e 44 foram feitas refém.
“A minha vida foi dividida ao meio. Há uma vida antes e um vida depois”, começou por contar a jovem ao New York Post.
A jovem de 22 anos nasceu em Israel, tendo-se mudado para o Reino Unido com 6 anos de idade. Em 2019, desistiu da faculdade e juntou-se às Forças de Defesa israelitas, revelando que atribui o treino militar à capacidade que teve em tomar decisões que lhe salvaram a sua vida e a de outros no fatídico dia.
“Comecei a ouvir mísseis, mas ainda não era claro o que estava a acontecer”, referiu.
Posteriormente, reconheceu o som de uma metralhadora, apercebendo-se que não seria uma resposta das forças israelitas ao Hamas. Explicou que sabia que não se tratava das tropas de Israel porque os militares são “treinados” para não usar armas automáticas.
“São menos seguras e precisas”, notou.
No dia 7 de Outubro, Maayan estava com 14 amigos e todos “sobreviveram”. “Mas, cada um está a lidar com isto à sua maneira”, afirmou.
“É mais difícil encontrar um propósito de vida agora porque muitos de nós dizemos: ‘Recebi uma nova vida como um presente. Como faço para voltar a trabalhar?'”, apontou.
Maayan salientou ainda que sente uma “enorme gratidão por estar viva”, mas que se mistura com “o desejo de desaparecer e não sentir mais esta dor”.
Depois de o ataque do Hamas, a jovem foi contactada pela SafeHeart, uma organização israelita que trabalha com sobreviventes e que oferece ajuda. Desde então, Maayan tem sido acompanhado por uma “psicóloga incrível”.
“A SafeHeart salvou a minha vida. Estava numa situação muito confusa”, disse, acrescentando que fumava erva diariamente para lidar com a culpa de ser uma sobrevivente.
Atualmente, Dee dedica-se ao ativismo, tendo já discursado no parlamento israelita e participado na Marcha do Dia de Israel, em Nova Iorque,
Recorde-se que, no início deste mês, um sobrevivente do 7 de Outubro foi encontrado sem vida junto à sepultura da namorada, também vítima do ataque ao festival de música.
O ataque de 7 de outubro de 2023, levado a cabo pelo Hamas, fez mais de 200 reféns e 1.200 mortos.
O grupo palestiniano governa, de forma autocrática, a Faixa de Gaza desde 2006, quando foi eleito por uma população que vive há longas décadas um conflito com Israel. Aliás, desde a formação do Estado israelita, em 1948 (como resultado da II Guerra Mundial e da perseguição a judeus), têm existido diversos confrontos armados, levando à morte de milhares.
A guerra declarada por Israel a 7 de outubro de 2023 em Gaza para “erradicar” o Hamas – horas após um ataque a território israelita com cerca de 1.200 mortos e 251 reféns – fez, até agora, pelo menos 67.173 mortos (incluindo mais de 20.000 crianças) e 169.780 feridos, na maioria civis, segundo números atualizados das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
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