“O ministro dos Negócios Estrangeiros do nosso país vai encontrar-se e conversar hoje com a parte qatari [do Qatar], que atua como mediadora entre o Irão e os Estados Unidos”, anunciou hoje a televisão estatal iraniana Irib.
Esta reunião deve tratar “das mensagens trocadas com os Estados Unidos através de terceiros, (…), nomeadamente sobre as condições colocadas pelo Irão para a reabertura do estreito de Ormuz”, especifica a Irib.
Na terça-feira passada já tinham decorrido discussões indiretas, sob mediação do Qatar, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, entre, de um lado, os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, e do outro, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi.
A delegação iraniana, que deve regressar a Teerão terça-feira e não está prevista uma nova reunião com os Estados Unidos, segundo a agência de notícias governamental Irna, citando uma fonte próxima da delegação iraniana.
O Irão afirmou ter apresentado sete condições, que já constavam no protocolo de acordo assinado em junho para pôr fim de forma duradoura à guerra e que desde então se desmoronou.
Donald Trump rejeitou publicamente a oferta iraniana no sábado e declarou domingo ao media americano Axios que espera um regresso às conversações com o Irão nos próximos dias.
O estreito de Ormuz, pelo qual antes da guerra transitava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, está no centro do conflito que os Estados Unidos e Israel desencadearam no final de fevereiro com ataques ao Irão.
Desde então, a República Islâmica reivindica o controlo da zona, e Washington impõe, em contrapartida, um bloqueio aos portos iranianos.
O Irão exige, como pré-requisito para qualquer reabertura do estreito de Ormuz, a cessação de todas as hostilidades no Médio Oriente durante sete dias, incluindo no Líbano, o desbloqueio de ativos iranianos congelados, o levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano e o fim do bloqueio naval americano contra o Irão.
No terreno, observa-se contudo uma acalmia nas últimas semanas: os Estados Unidos não atacaram o Irão desde 01 de setembro, embora navios sejam regularmente alvos no estreito de Ormuz.
Mas, ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçaram a sua guerra económica contra Teerão, impondo sanções a todas as companhias aéreas iranianas e jurando ser implacáveis com as empresas estrangeiras que lhes prestassem assistência.
Quarta-feira, data de entrada em vigor dessas sanções, as principais companhias aéreas iranianas foram obrigadas a cancelar voos internacionais quando as principais rotas regionais, incluindo os países do Golfo, tomaram medidas de proibição.
Em reação, “o Irão (…) transmitiu um protesto oficial à Organização da aviação civil internacional para defender os direitos legítimos do setor aéreo e combater as restrições ilegais impostas pelos Estados Unidos”, afirmou o diretor da aviação civil iraniana, Abouzar Shiroudi, citado pela agência de notícias governamental Irna.
Outra queixa foi apresentada junto ao Tribunal Internacional de Justiça em Haia, acrescentou.
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